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Desde a pré-história, a arte sempre teve um sentido transformador, que não precisa de justificativas. Esta para confundir, perturbar, provocar e incitar o espectador...


A finalidade do blog é a experiência da resignificação, de somar conhecimentos sobre a matéria que está sendo tratada. Especialmente aquelas que são complexas em locomover o objeto de estudo ao laboratório, por exemplo, na Astronomia. A observação junto com a experimentação, fazem parte de um método científico que trabalha de maneira complementária e permite realizar a verificação empírica dos fenômenos.

A reciclagem material não era a finalidade, mas se tornou a consequência.
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Paidéia

Paideia (em grego antigoπαιδεία) é a denominação do sistema de educação e formação ética da Grécia Antiga, que incluía temas como ginástica, gramática, retórica, música, matemática, geografia, história natural e filosofia, objetivando a formação de um cidadão perfeito e completo, capaz de liderar e ser liderado e desempenhar um papel positivo na sociedade. O conceito surgiu nos tempos homéricos e permaneceu em sua essência inalterado ao longo dos séculos, embora variando suas formas de aplicação e as disciplinas envolvidas, e continua a interessar muitos educadores e pensadores contemporâneos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paideia



Revisitando a educação na Grécia antiga

O estudo da história da educação e da pedagogia é imprescindível ao conhecimento da educação atual, pois, esta é um produto histórico. A educação presente é ao mesmo tempo, fase do passado e preparação do futuro. A história da educação estuda o passado como explicação do estágio atual, ou seja, o conhecimento do passado é apenas uma chave para entender o presente. Assim, o estudo da história da educação, irá nos servir para encontrar o caminho de uma educação realmente voltada para o desenvolvimento pleno do homem e sua realização como cidadão. O presente trabalho, Revisitando a Educação na Grécia Antiga: A Paidéia faz uma contextualização histórica do mundo antigo, evidenciando as características do modo de produção escravista e a organização social e política, preparando para iniciar um estudo em que caracterizamos e refletimos sobre o ideal de educação grega, ou seja, a Paidéia.

 Introdução

Partimos do ponto de vista de que a História da Educação é parte indissociável da História Geral, porém específica. É importante estudar a educação no contexto histórico qual para observar a relação de influência, de determinação, entre a educação e sistema social mais amplo. 

A História da Educação, não estuda o passado pelo passado, como coisa morta, mas utiliza esse conhecimento do passado como uma “chave” para entender o presente. 

O estudo da História da Educação e da pedagogia é importantíssimo para o conhecimento da educação atual, pois, esta é um produto histórico e não uma invenção exclusiva do nosso tempo. A educação presente é ao mesmo tempo, fase do passado e preparação do futuro.

Por isso, o estudo da História da Educação, irá nos servir para encontrar o caminho de uma educação realmente voltada para o desenvolvimento pleno do homem e sua realização como cidadão, em verdade, as questões da educação em cada momento histórico são engendradas nas relações de produção de cada sociedade determinada. 

O presente estudo tem como objetivo geral contribuir para a efetivação de um estudo crítico e reflexivo sobre a educação grega, com o objetivo de perceber possíveis relações com a educação de hoje. Para tanto, pretende-se desenvolver uma pesquisa bibliográfica, levantando dados históricos da evolução da educação na Grécia e dessa forma contribuir para as pesquisas referentes à História da Educação.

A partir do pressuposto acima, apresento: “Revisitando a Educação na Grécia Antiga: A Paidéia”, que inicia o primeiro capítulo fazendo uma contextualização histórica do mundo antigo, evidenciando as características do modo de produção escravista e a organização social e política; no segundo capítulo observamos a Educação na Grécia, neste capítulo caracterizamos e refletimos sobre o ideal de educação grego, ou seja, a Paidéia. No terceiro capítulo, falamos sobre os Períodos da Filosofia até chegarmos ao quarto capítulo, que trata sobre a filosofia do aretê.

E, finalmente, concluímos buscando ter contribuído para a efetivação de um estudo crítico e reflexivo sobre a educação grega, sobretudo, ajudando a estabelecer uma relação articulada com as práticas pedagógicas atuais.

1 – Contexto histórico do mundo antigo

Antes de adentrarmos pela história da educação na Grécia, convém fazer uma breve contextualização histórica, sobretudo, localizando o objeto do presente estudo, com o intuito de melhor compreendermos a evolução da educação e cultura grega. 

Geograficamente, a Grécia está localizada a leste do mar Mediterrâneo, na Península Balcânica, apresentando relevo acidentado e um litoral recortado por golfos, banhado pelo mar Egeu e pelo mar Jônio. Devido ao relevo montanhoso, a prática da agricultura revela-se difícil na Grécia. 

Como a superfície contínua da Grécia era bastante limitada, os gregos, passaram a habitar também as ilhas próximas, bastantes numerosas. A ilha de Eubéia ficava separada do continente pelo estreito de Euripes. Ítaca, Cefanônia, Córcira e Zaquintos localizavam-se no mar Jônico. Ao sul do Peloponeso, ficava Cítara, que representava uma etapa para a ilha de Creta, a mais extensa de todas. As Cícladas (Andros, Delos, Paros, Nexos) localizavam-se no Egeu como as Espóradas (Rodes, Samos, Quios, Lesbos). Essas ilhas constituíam a Grécia colonial, constituída por terras mais distantes da Grécia:

- Ásia Menor (Eólica, Jônica, Dória); 
- Sul da Itália (Magna Grécia);
- Costa Egípcia ( Náucratis);
 Desde o período neolítico é que se tem notícia da presença do homem na península Balcânica. Os pelasgos foram seus primeiros habitantes, possivelmente, de origem mediterrânea. Os cretenses, porém, foram mais importantes como civilização, predominando em toda a região do Egeu. 

 Tantos os pelasgos como os cretenses, geralmente são considerados povos anteriores aos gregos (povos pré-helênicos). 

A história egeana teve suas origens na ilha de Creta, irradiando-se daí para a Grécia continental e também para a Ásia Menor. Cerca de 1.800 a.C., Cnossos e Faístos, na ilha de Creta, atingiram o seu apogeu. O palácio de Cnossos foi destruído entre cem e duzentos anos mais tarde. Formou-se uma nova dinastia, à qual se devem diversas transformações, inclusive o tipo de escrita. 

Os chamados "povos do mar" surgiram pelos fins do século XV a.C., e por certo foram os predecessores dos povos gregos. Eram os aqueus, povos de origem indo-européia. Da miscigenação de cretenses e aqueus originou-se a civilização Miceniana.

Duzentos anos mais tarde, os dórios, os jônicos e os eólios, outros povos helênicos, se transferiram para Grécia. Os invasores venceram os aqueus, e substituíram as cidades pelas suas. Tais cidades viram transformar-se nas grandes representantes da Grécia Antiga: Atenas, Tebas, Esparta e outras.

1.1 – Características do modo de produção escravista

A escravidão aparece na Grécia como instituição social. Segundo
Aristóteles, o fundamento da escravidão era a diferença das raças. O meio de
conseguir escravos era fazer prisioneiros de guerra: a pirataria, as corridas sobre
os mares do sul davam-lhes grande soma de cativos.

Desde então o tráfico era muito praticado. A população da Ática, pelo
cálculo de Letronne, era de 110.000 escravos e 130.000 livres. Como se vê havia
duas raças, uma exterminando a outra, como acontecia com as hilotas na Lacônia.

A escravidão na Grécia era, todavia, mais branda que a de Roma e era muito espalhada nas cidades, onde cada um para se entregar aos negócios do Estado utilizava o trabalho de um escravo. 

Nessa civilização eminentemente artística, havia na escravidão certos detalhes, que salvavam a dignidade do homem, assim, a avaliação dos seus talentos, cuja manifestação era plenamente permitida. Na Grécia as faculdades intelectuais atingiram grande destaque entre os gregos; Esopo e Phedro Epíteto são nomes ilustres no seu país. 

Havia os escravos domésticos que, dentre outras coisas, serviam para fazer rir em festas; escravos que diziam ao senhor os nomes dos que este encontrava na rua; outros que lhes abriam caminho entre o povo. Existiam senhores que tinham sob o seu poder até 20.000 escravos. 

 Os escravos eram levados às vendas com letreiros na fonte. Uma lei antiga mandava, que, quando um escravo assassinava o senhor, que fossem mortos junto com o assassino todos aqueles que morassem com ele. Assim, no tempo de Nero, um escravo tendo assassinado o prefeito de Roma, quatrocentos de seus companheiros inocentes foram mortos com ele, no meio de um tumulto enorme do povo, que se interessava por eles, porque havia entre eles inocentes pessoas de todas as idades, e de um e do outro sexo, como o refere Tácito.

Tácito descreve a produção escravista da seguinte forma: 
Os escravos não têm, como entre nós, empregos distintos na casa. Cada um é senhor de sua casa, de seus penates. O senhor impõe ao escravo uma certa contribuição em trigo, em gado, em vestes, como a um colono, e somente até aí o escravo obedece. As outras ocupações domésticas incumbem à mulher e aos filhos, É muito raro açoitarem um escravo, prendê-lo, ou coagi-lo ao trabalho. Costumam matá-los, não por disciplina nem severidade, mas pelo ímpeto e pela cólera, como a um inimigo, somente neste caso fazem-no impunemente. ( apud: Pereira, 1971, p. 84).
                                                   
1.2 – Organização social e política 

As cidades gregas são encontradas nos tempos históricos mais remotos, muitas dessas cidades apresentavam uma organização perfeita. Tomamos conhecimento do “genos” minúsculas comunidades naturais em que os gregos anteriormente viviam, apenas através das lendas e dos poemas homéricos. O genos era constituído por todos os que prestavam culto a antepassados comuns que tinham o mesmo sangue e, com o tempo, esses genos foram se agrupando, a fim de obterem melhores condições de vida, e deram origem a cidades. 

Os gregos, porém, fundaram muitas cidades, cada qual mantendo sua independência. Possuíam também seus próprios reis, hábitos e regulamentos. Apesar disso, os gregos sentiam que formavam um só povo, o que desenvolveu na Grécia o sentimento pátrio.

As colônias foram o meio utilizado pelos gregos para disseminarem a sua religião e seus hábitos por toda a extensão do Mediterrâneo. A fundação de colônias gregas não era de iniciativa do Estado. Um grupo de elementos, obedecendo à chefia de um, encarregado de levar o fogo sagrado, saía da mesma cidade à procura de um local onde pudesse se estabelecer e construir cidades independentes, ligadas apenas pela religião à cidade de origem. Essa modalidade de colônia é denominada apoequia. 

No século X a.C., os atenienses criaram um novo tipo de colônia, a olerúquia. Era obra do Estado, e os emigrantes conservavam os seus direitos de cidadania. Algumas colônias gregas: vilas na Sicília, sul da Itália, Turquia, terras no mar Negro, Índia, Portugal e Sudão. 

Em algumas cidades, a agricultura foi substituída por outras atividades econômicas, por exemplo, o comércio, que atraíram elementos estrangeiros e provocaram o aumento do número de escravos. As classes que não participavam da política aumentaram, numericamente, enquanto se agrupavam na cidade propriamente dita. Com isso, tomaram consciência da força que possuíam que até então haviam ignorado por causa de sua vida dispersa na lavoura.

O aparecimento da moeda foi outro fator da revolução da econômica. Riquezas móveis se constituíram e, houve descontentamento entre as classes sociais inferiores. As lutas políticas sucediam-se. Como solução, foram promulgadas leis para regulamentar as relações de classes. 

Tanto Esparta como Atenas mantiveram constantes lutas pela hegemonia grega. Atenas teve o seu apogeu no transcorre da época de Péricles (463-529 a.C.). Péricles foi o principal representante do partido democrático, que subiu ao poder em 463 a.C. Teve como principal objetivo de sua política a melhoria das condições de vida da população, transformando e melhorando também as características da política externa. 

Quanto à cultura, Péricles procurou atrair os intelectuais de todas as localidades da Grécia, favorecendo-os e instalando-os em Atenas. Sua época foi marcada por nomes de grandes personalidades: Fídias, arquiteto e escultor; Sófocles, autor de tragédias; Heródoto, o grande historiador; Ésquilo, autor de tragédias; Sócrates, o pai da filosofia; Eurípedes, autor de tragédias; Aristófanes, comediógrafo.

No fim do governo de Péricles, eclodiu a luta entre Esparta e Atenas, que seria uma das mais longas e violentas guerras do mundo antigo, e que passou para a História como a guerra do Peloponeso. Os constantes desentendimentos bélicos entre as cidades gregas somente conseguiram abalar a unidade do país, propiciando a Filipe I que concretizasse a sua conquista. 

Após haver conseguido impor-se aos gregos, muitos acreditam que o rei macedônio estivesse cuidando dos preparativos para submeter os persas, o que não conseguiu levar a contento, pois foi assassinado por Pausânias, em 336 a.C., deixando seu trono para seu filho, Alexandre. Ele estava, nessa época com 20 anos e era considerado um homem culto e admirador do helenismo, acreditandose que tenha sido discípulo de Aristóteles. 

Alexandre tratou de consolidar na Grécia a obra de Felipe. Invadiu Tebas e a destruiu. Venceu Atenas. Depois da vitória de Granico, submeteu a Ásia Menor, além de outras vitórias. Morreu em 323 a.C. Depois de sua morte, desentendimentos e lutas entre os generais provocaram a divisão do Império em três grandes reinos: o do Egito, o da Síria, o da Macedônia. Tempos depois, reinos menores originaram-se desses três grandes reinos: Epiro, Ponto, Bitínia, Galátia, Pérgamo, Capadócia, Partia, Bactriana. Esses pequenos reinos constituíam os estados helenísticos. 

Também na religião, o regime se impôs. Foi estabelecido o culto dos reis, transformando o rei quase em um deus. A escultura helenística orientava-se no sentido de causar efeito e se caracterizava pelas grandes proporções. Os principais centros esculturais foram Pérgamo e Rodes. O Colosso de Rodes era uma das sete maravilhas do mundo antigo. 

Os gregos sempre foram um povo que gostava de animação, alegria, lazer e, que se divertia com as conversas e a companhia dos outros. As classes da sociedade grega variavam de uma Cidade-Estado para outra. Atenas contava com três classes:

• Cidadãos, os eupátridas: Somente eles possuíam direitos políticos para participar da democracia. As mulheres e as crianças não faziam parte do grupo dos cidadãos; 
• Metecos: Eram os estrangeiros que habitavam Atenas. Não tinham direitos políticos e estavam proibidos de adquirir terras, mas podiam dedicar-se ao comércio e ao artesanato. Em geral, pagavam impostos para viver em Atenas e estavam obrigados à prestação do serviço militar; 
• Escravos: Formavam a grande maioria da população ateniense, pois para cada cidadão adulto chegou a existir cerca de 18 (dezoito) escravos. Os escravos eram considerados propriedades do seu senhor, embora houvesse leis que os protegiam contra excessos de maus tratos. Atenas era um Estado que garantia a democracia da minoria às custas da escravidão da maioria. 

Os antigos gregos falaram vários dialetos diferentes durante centenas de anos. Depois de 330 anos a.C., um dialeto comum chamado coiné desenvolveu-se a partir do primitivo dialeto falado em Atenas. Mais tarde, vários invasores penetraram na Grécia Antiga, mudando a língua e os costumes gregos. 

O povo levava uma vida simples, começando pelas moradias, que eram de pedra ou de tijolos secos ao sol e cobertos com estuque. 

A maioria dos gregos fazia apenas duas refeições por dia. O almoço (ariston), muitas vezes consistia somente de um prato de feijão ou de ervilhas e de uma cebola crua ou um nabo cozido. O jantar deipnon, era a refeição principal que incluía pão, queijo, figos, azeitonas e por vezes um pedaço de carne ou queijo. Os gregos não conheciam o açúcar, usavam mel para adoçar seus alimentos. Usavam o azeite para passar no pão, como óleo de cozinha e como sabão. A maioria dos gregos bebia uma mistura de vinho e água; consideravam o leite próprio apenas para os animais e os bárbaros. 

Os gregos desenvolveram um belo e gracioso traje. Homens e mulheres usavam um quitao, túnica que descia até os joelhos ou tornozelos; um cinto estreito prendia na cintura o quităo feminino. Grande parte dessas túnicas eram feitas de lă; apenas os mais ricos podiam tê-la de algodão ou linho. O povo usava quitões de cor marrom para o trabalho e de cor branca nas ocasiões formais.

Tanto os homens como as mulheres trajavam também himátions, ou seja, mantos que eles arranjavam com pregas sobre os ombros e os braços. Os moços por vezes usavam uma clâmide, pequeno manto preso no ombro. As mulheres podiam vestir também um péblos, que era uma variação do quităo. Dentro de casa os gregos habitualmente andavam descalços; na rua muitos usavam sandálias. A maioria dos gregos andava com as cabeças descobertas. 

Cada vila ou cidade contava com ginásio ao ar livre onde os homens podiam praticar exercícios ou vários tipos de jogos. As crianças geralmente rolavam aros ou brincavam com bonecas. Os homens mais velhos sentavam-se na ágora (mercado), onde ficavam jogando ou conversando. A mulher grega trabalhava quase que todo o tempo e tinha poucos divertimentos. As caçadas eram passatempos prediletos nas propriedades rurais.

Os gregos adoravam vários deuses, e os representavam sob a forma humana. Portanto, sua religião era politeísta e antropomórfica. Para eles os deuses habitavam o monte Olimpo. Praticavam ainda, o culto dos heróis, era um conjunto de seres mitológicos considerados pelos gregos como seus antecessores, fundadores de suas cidades, às quais davam proteção: Teseu, Épido, Perseu, Belerofonte e Hércules. O culto aos deuses era tão desenvolvido entre os gregos, que chegaram a erigir soberbos templos as suas divindades, nos quais realizavam suas orações. Consideravam que os oráculos eram meios utilizados pelos deuses para se comunicarem com eles. 

Diversos jogos periódicos eram promovidos pelos gregos em homenagem aos deuses, como os Jogos Olímpicos, dedicados a Zeus, na cidade Olímpia. Os Jogos Olímpicos eram praticados de quatro em quatro anos. Durante sua realização, suspendiam as guerras e tratavam os participantes como pessoas sagradas.

2 – Educação na Grécia 

A visão que os gregos tinham do mundo os distinguia de todos os demais povos do mundo antigo. Os gregos colocaram a razão acima dos seus mitos e a utilizaram como instrumento a serviço do próprio homem. Os gregos glorificavam o homem como o ser mais importante do universo. 

Podemos dizer que a origem dessa atitude se encontra na realidade sóciopoética da Grécia, processo que se realiza entre 1200 e 800 a.C. Trata-se do período pré-Homérico que recebeu esse nome, devido ao que se conhece da interpretação das lendas contidas nos poemas; “Ilíada” e “Odisséia”, que a tradição atribui a Homero. 

2.1 – Características 

Os atenienses acreditavam que sua cidade-estado iria tornar-se a mais forte se cada menino desenvolvesse integralmente as suas aptidões. O governo não controlava os alunos e as escolas. Um garoto ateniense entrava na escola aos seis anos e ficava sob os cuidados de um pedagogo que ensinava aritmética, literatura, música escrita e educação física; o aluno decorava muitos poemas e aprendia a fazer parte dos cortejos públicos e religiosos. 

As meninas não recebiam qualquer educação formal, mas aprendiam os ofícios domésticos e os trabalhos manuais com as mães. O principal objetivo da educação grega era preparar o menino para ser um bom cidadão. Os gregos antigos não contavam com uma educação técnica para preparar os estudantes para uma profissão ou negócio. 

2.2 - A Aretê

Sócrates fala sobre este o assunto nesta passagem do texto platônico: 
Nas minhas idas e vindas pela cidade, não faço outra coisa senão persuadir-vos, novos e velhos, a que vos preocupeis mais, nem tanto, com o vosso corpo e as vossas riquezas do que com a vossa alma, para a tornardes o melhor possível, dizendo-vos 'A virtude (aretê) não vem da riqueza, mas sim a riqueza da virtude, bem como tudo o que é bom para o homem, na vida particular ou pública’. (PLATÃO, 1972, apud Jaeger) 

Igualmente, para Platão, a questão central é saber o que é a virtude (aretê). Muito dos diálogos platônicos é bem a prova disso; é verdade que se questiona e se procura saber o que é a coragem, a sabedoria, o amor, o belo, a justiça e tantas outras virtudes.

Sigamos, então, a evolução do conceito de aretê (traduzido, vulgarmente, por virtude) desde que, esse conceito parece como primeiro ideal educativo formulado pelos gregos. É em Homero e nos chamados poemas homéricos, a Ilíada e a Odisséia, que tal ideal educativo aparece originalmente formulado. 

Na Ilíada destaca-se a figura de Aquiles, o herói modelo, nobre, valente e corajoso, o melhor, entre todos. Aquiles encarna a aretê e, é na sua figura que se caracteriza esse ideal. Além de guerreiro valoroso, valente, corajoso e honrado, Aquiles é o protótipo do perfeito cavalheiro da época homérica ( cortês, cavalheiro e de boas maneiras ).

 Nessa época a aretê era entendida como superioridade, nobreza e um conjunto de qualidades físicas, espirituais e morais tais como: a bravura, a coragem, a força e a destreza do guerreiro, a eloqüência e a persuasão, e, acima de tudo, a heroicidade. 

Se esta é a aretê da Ilíada, a da Odisséia é um pouco diferente. A Odisséia relata o regresso do herói, Ulisses, à casa, vindo da guerra de Tróia. Ulisses além da força, coragem, bravura e eloqüência, a astúcia, a manha, o engenho e a inteligência, que o levam a desvencilhar-se das situações mais complicadas.

Assim, na Odisséia, Telêmaco, filho de Ulisses, é o único jovem em formação e é a sua educação, que lhe é ministrada pela deusa Atena, disfarçada de Mentes amigo e hóspede de seu pai. E graças a essa educação, Telêmaco passou do jovem dócil e passivo do começo do poema, a príncipe consciente dos seus deveres, o companheiro de luta, valente e ousado que ajudará o pai, na sua vingança, a enfrentar os pretendentes de Penélope, sua mãe e esposa de Ulisses. Mas, quer na Ilíada quer na Odisséia, a educação que se propõe traz, uma pedagogia fundada no exemplo vivo ou no exemplo mítico, a pedagogia do paradigma. O herói prototípico institui-se como modelo exemplar a seguir. 

Imitar os heróis, o que desperta a emulação, para eles, ser herói é ser possuidor da aretê heróica.

Homero é, entre todos os poetas gregos, considerado o maior e, a crer nos testemunhos, a opinião corrente ao tempo indica-o também como o educador de toda a Grécia. De fato, a tradição homérica e o ideal educativo que nela se propõe são transmitidos oralmente, de geração em geração, pelos aedos e rapsodos. Também só assim se pode compreender a afirmação. Nele, pela primeira vez, o espírito pan-helênico atingiu a unidade da consciência nacional e imprimiu o seu selo sobre toda a cultura grega posterior. (JAEGER, s.d. 77). 

Como já foi falado, os primeiros educadores do mundo grego são os poetas, que surgem não apenas como educadores da sua época, mas, porque a sua influência durou para além do seu tempo, como educadores de toda a Grécia. Homero é o mais influente de todo o mundo antigo. Ser culto na Antiguidade era saber Homero de cor e ser capaz de o citar em qualquer ocasião. 

Já no final da época arcaica, não bastava cobrir-se de honra e glória, como nos tempos homéricos, mas pretendia-se alcançar a excelência tanto no plano físico como no plano moral. Tal ideal exprime-se pela palavra Kalokagathia: beleza e bondade são os atributos que o homem deve procurar realizar. 

Assim, o homem forma-se segundo um crescente domínio de si, pela libertação de seus instintos, desejos e paixões, que devem ficar submetidos à razão. Para alcançar tal ideal propõe a ginástica, para desenvolver o corpo, e a música, com a leitura e o canto das obras dos grandes poetas, para o espírito. Esse programa educativo tratava de desenvolver no homem a qualidade da temperança e que implicava um perfeito domínio de si, aliado a sabedoria.

Portanto, esse era um ideal de sabedoria, pelo domínio dos instintos, desejos e apetites pela razão, um ideal de equilíbrio e harmonia.O programa de estudos era constituído pela ginástica, ensinado nos ginásios, sendo o “pedotriba” ou “paidotriba” o mestre de educação física, e pela música que ensina as crianças a tocar cítara, para se acompanharem enquanto cantam as obras dos grandes poetas, sendo o mestre o citarista. Nesta altura, o citarista ensina ainda a ler e escrever, porque para cantar os poetas é preciso saber ler as suas obras. Já no fim da época arcaica, surgiu a figura do didáscalo (gramático) o mestre que ensinava a ler, escrever e alguns rudimentos de cálculo. 

Neste tempo aparece a figura do pedagogo, ou seja, do escravo que acompanhava o menino à escola e que vigiava o seu comportamento moral. Platão dá-nos um retrato fiel desta educação tradicional e, apesar de longo, cremos que vale a pena transcrevê-lo:

Logo que a criança começa a compreender o que lhe dizem, a ama, a mãe, o pedagogo e até o próprio pai se esforçam por que ela se torne a mais perfeita possível. A cada ação ou palavra lhe ensinam ou apontam o que é justo e o que não é, que isto é belo e aquilo vergonhoso, que uma coisa é piedosa, e outra ímpia, e 'faz isto', 'não faças aquilo'. E, ou ela obedece de boa mente, ou então, corrigem-na com ameaças, como se fosse um pau torto e recurvo. Depois, mandam-na à escola, com a recomendação de se cuidar mais da educação das crianças que do aprendizado das letras e da cítara. Os mestres empenham-se nisso, e, depois de elas aprenderem as letras e serem capazes de compreender o que se escreve, (...) põem-nas a ler nas bancadas as obras dos grandes poetas, e obrigam-nas a decorar esses poemas, nos quais se encontram muitas exortações e também muitos (...) elogios e encômios da valentia dos antigos, a fim de que a criança se encha de emulação, os imite e se esforce por ser igual a eles. (...) Depois de saberem tocar, aprendem as obras dos grandes poetas líricos. Assim, obrigam os ritmos e harmonias a penetrar na alma das crianças, de molde a civilizá-las, e, tornando-as mais sensíveis ao ritmo e à harmonia, adestram-nas na palavra e na ação. Toda a vida humana carece de ritmo e de harmonia, ainda se mandam as crianças ao pedotriba, a fim de possuírem melhores condições físicas, para poderem servir a um espírito são, e não serem forçadas à cobardia, por fraqueza corpórea, quer na guerra, quer noutras atividades. Assim fazem os que têm mais posses. Os filhos desses começam a ir a escola de mais tenra idade, e saem de lá mais tarde. Depois de estarem livres da escola, o Estado, por sua vez, obriga-os a aprender as leis e a viver de acordo com elas. Tal como o mestre-escola que, para os que não sabem escrever, traça as letras com o estilete e lhes entrega a tabuinha e os força a desenhar o traçado dos caracteres, assim também a cidade, depois de ter delineado as leis, criadas pelos bons e antigos legisladores, os força a mandar e a serem mandados de acordo com elas. (...) Perante tais cuidados com a virtude (aretê) particular e pública, ainda te admiras, ó Sócrates, e põe objeções à possibilidade de a virtude se ensinar? (PLATÃO, 325 - 326 apud: PEREIRA, 1971, 397).

Porém, este ideal educativo não ficava restrito à escola; a cidade continuava educando nas reuniões políticas, administrativas e jurídicas, nos jogos, nas artes, na arquitetura e nas representações dramáticas. Em nenhum lugar da Grécia o teatro era só para privilegiados, era a escola de todos os cidadãos. 

A educação grega tinha duas finalidades: o desenvolvimento do cidadão fiel ao Estado e a formação do homem que adquiriu plena harmonia e domínio de si. Porém a educação grega também tinha uma finalidade cívica, ou seja, a educação é uma preparação para a cidadania. Para eles, o habitante da polis só é o que é porque vive na cidade e sem ela não é nada. 

Nesse sentido, é evidente que o homem é um animal político e como falou Aristóteles, o que difere o homem dos outros animais é sua qualidade de cidadão e habitante da polis. Essa consciência da cidadania faz sentir a necessidade de uma nova educação, pois a antiga, composta somente por ginástica e música, já não servia para a formação do cidadão e nem correspondia às novas exigências sociais e políticas.

Por exemplo, a forma democrática de organização do Estado Ateniense, exigia a participação de todos os cidadãos, ou seja, homens livres e para que esses cidadãos participassem, era necessário ter eloqüência e uma boa formação oratória. 

Neste contexto surgem os sofistas, uma nova estirpe de educadores que se apresentam como professores e que oferecem, a troco de dinheiro, o ensino da virtude e da aretê política. Os sofistas transformaram a educação em uma arte ou técnica, na qual eles são mestres e capazes de ensinarem aos seus alunos. 

Estava incluído neste tipo de educação a formação de homens de Estado e de dirigentes da vida pública. E para que esses homens atingissem êxito político, eles precisavam falar bem, construir discursos persuasivos e ter bons argumentos que justificassem suas posições. Era preciso dominar a arte sofística da oratória, da retórica e da dialética.

Seja qual for o profissional com quem entre em competição, o orador conseguirá que o prefiram a qualquer outro, porque não há matéria sobre a qual um orador não fale, diante da multidão, de maneira mais persuasiva do que qualquer outro profissional. Tal é a qualidade e a força desta arte que é a retórica. ( PLATÃO in: www.ahistoria.com.br )

Por isso os sofistas foram acusados de ensinar uma educação imoral e que corrompia a juventude, posto que, esta educação desconsiderava os valores tradicionais: verdade, justiça, virtude, retidão, etc. Pois para os sofistas não importava que a idéia que eles estivessem defendendo estivesse errada, o que importava era convencer pela oratória. 

2.3 – A Paidéia - O ideal de educação grego 

Durante os séculos V e VI a. C a cultura grega, impulsionada pelas transformações sociais e econômicas, sofre mudanças. Surgem novos grupos sociais ligados ao comércio, estes reclamam uma maior participação na vida política da Grécia. Ao lado disso, surge uma cultura mais crítica em relação ao saber religioso e mítico, que exalta a razão pessoal de cada indivíduo e é capaz de submeter à análise qualquer crença ou tradição. 

Para transmitir essa nova cultura, nasce um novo ideal de educação na Grécia, conhecido como Paidéia, que busca a formação do homem em suas várias esferas (social, política, cultural e educativa), ou seja, é uma educação mais antropológica e que considera o homem como um ser racional. Essa educação atribui ao homem, sobretudo, uma identidade cultural e histórica.

Nasce a pedagogia como saber autônomo, sistemático e rigoroso; nasce o pensamento da educação como episteme; e não mais como ethos e como práxis apenas.

Uma educação pública, retirada da família e do santuário, que visa à formação do cidadão e das suas virtudes (persuasão e capacidade de liderança, sobretudo). É uma educação que se liga à palavra e À escrita e tende à formação do homem como orador, marcado pelo princípio do Kalogathos (do belo e do bom) e que visa cultivar os aspectos mais próprios do humano em cada indivíduo, elevando-o a uma condição de excelência, que todavia não se possui por natureza, mas se adquire pelo estudo e pelo empenho. (CAMBI, 1999, p.86).

A Paidéia é entendida como uma formação geral que dará ao homem a forma humana, ou seja, que o construirá como homem e como cidadão. Assim, ela significou a educação do homem de acordo com a verdadeira forma humana e que brota da idéia. 

O termo Paidéia não pode ser traduzido simplesmente como educação, significa muito mais que isso, significa também cultura, instrução e formação do homem grego. Este termo começou a ser utilizado no séc. IV a.c. e nesta época significava apenas a criação dos meninos. Mas o seu significado se alargou e passou a designar também o conteúdo e o produto dessa educação. 

Torna-se claro, porque, a partir do séc. IV os gregos deram o nome de Paidéia a toda a sua tradição. 

Enfim, a Paidéia, é a busca do conhecimento do homem, de forma individual, para que este possa interferir na organização política e social da pólis, a idéia principal é colocar o homem a par de todo o conhecimento necessário para a harmonia consigo próprio e com a comunidade ao seu redor.

 2.4 - A educação no período helenístico

 No final do século IV a.C., se inicia a decadência das Cidades-Estados gregas e a cultura helênica se mistura com as das civilizações que dominam a Grécia. Desta forma a antiga Paidéia torna-se enciclopédia, ou seja, “educação geral" que consistia na formação do homem culto diminuindo ainda mais o aspecto físico e estético. Neste período cresce o papel do pedagogo com a criação do ensino privado e o desenvolvimento da escrita, leitura e o cálculo.

Inúmeras escolas se espalham e da união de algumas delas (Academia e Liceu) é formada a Universidade de Atenas, lugar de importante desenvolvimento intelectual que dura inclusive até o período de dominação romana. 

2.5 - Período clássico (século V a.c.) 

Atenas havia se tornado o centro da vida social, política e cultural da Grécia, em virtude do crescimento das cidades, do comércio, do artesanato e das artes militares. Atenas vivia seu momento de maior florescimento da democracia. A democracia grega possuía duas características de grande importância para o futuro da filosofia.

Em primeiro lugar, a democracia afirmava a igualdade de todos os homens adultos perante as leis e o direito de todos de participar diretamente do governo da cidade, da polis. Em segundo lugar, e como conseqüência, a democracia, sendo direta e não por eleição de representantes no governo, garantia a todos a participação no governo e os que dele participavam tinham direito de exprimir, discutir e defender em público suas opiniões sobre as decisões que a cidade deveria tomar. Surgia assim, a figura do cidadão. (CHAUÍ, 1995, p. 36).

O indivíduo somente se torna cidadão quando exerce seus direitos de opinar, discutir, deliberar e votar nas assembléias. Dessa forma, o novo ideal de educação é a formação do bom orador, ou seja, aquele que saiba falar em público e persuadir os outros na política. 

Para dar esse tipo de educação aos jovens, surgem os sofistas que foram os primeiros filósofos do Período. Os sofistas não tinham uma origem bem definida, eles surgiram de várias partes do mundo. Sofista significa "sábio", "professor de sabedoria", no sentido pejorativo passa a significar "homem que emprega sofismas", ou seja, homem que usa de raciocínio capcioso, de má-fé com intenção de enganar.

Os sofistas contribuíram muito para a sistematização da educação. Eles se julgavam sábios e possuidores da sabedoria. Eles ensinavam a retórica, que é a arte da persuasão, mas, vale ressaltar que não ensinavam de graça, os sofistas cobravam por seus ensinamentos. E por cobrarem e se julgarem possuidores da sabedoria, foram bastante criticados por Sócrates e seus seguidores, pois, para Sócrates o verdadeiro sábio é aquele que reconhece sua própria ignorância. Para combater os sofistas, Sócrates desenvolve dois métodos que são bastante conhecidos até os dias de hoje: a ironia e a maiêutica.

O primeiro consiste em questionar o ouvinte à respeito do que ele considera como verdade e tentar fazer o ouvinte entender que ele realmente não sabe tudo. Depois que o ouvinte se convencia disto, Sócrates passava a utilizar o segundo método que é a maiêutica, que significa dar luz às idéias. Nesse momento o ouvinte consciente de que não sabe tudo busca saber mais, buscando respostas por si próprio.

3 - A pedagogia grega - Os períodos da filosofia 

O termo pedagogia é de origem grega e deriva da palavra “paidagogos”, nome que era dado aos escravos que conduziam as crianças à escola. Somente com o tempo, esse termo passou a ser utilizado para designar as reflexões que estivesses relacionadas à educação. 

A Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia, até porque é justamente na Grécia que tem início a primeira reflexão acerca da ação pedagógica. Essas reflexões vão influenciar por séculos a educação e a cultura do ocidente. 

Os povos orientais acreditavam que a origem da educação era divina, o conhecimento deles se resumia aos seus próprios costumes e crenças. Tudo isso impedia uma reflexão mais profunda sobre a educação, pois, esta era fruto de uma organização social teocrática. 

Contudo, na Grécia Clássica, a razão se sobrepõe ao conhecimento puramente religioso e místico. Nesta época a concepção dos gregos de educação se resume à inteligência crítica e à liberdade de pensamento do homem.

O nascimento da filosofia grega foi um fator de grande importância para o desenvolvimento de uma nova concepção de educação da Grécia. 

Os períodos em que a filosofia grega se divide são:

- Período pré-socrático (Século VII e VII a.C.); os filósofos das colônias gregas iniciam o processo de separação entre a filosofia e o pensamento mítico. 

- Período socrático (Séculos V e IV a.C.) Sócrates, Platão e Aristóteles. Os sofistas são contemporâneos de Sócrates e alvos de suas críticas. Isócrates também é desse período. 

- Período pós-socrático (Séculos III e II a.C.) época helenística, após a morte de Alexandre. Fazem parte desse período as correntes filosóficas: o estoicismo e o epicurismo.

O Período pré-socrático se inicia no final do século VI a.C., quando aparecem os primeiros filósofos nas colônias gregas da Jônia e na Magna Grécia. Esse período caracteriza-se como uma nova forma de analisar e ver a realidade. Antes esta era analisada e entendida, que anteriormente era analisada e entendida apenas do ponto de vista mítico. Vale ressaltar que a filosofia não vem para romper radicalmente com o mito, mas sim utilizar o uso da razão no esclarecimento da origem do mundo. Os antigos mitos sobre a origem do mundo que foram transmitidos oralmente e depois transformados em poemas por Homero e Hesíodo são questionados pelos pré-socráticos com o objetivo de explicar a origem do mundo. 

 Outra diferença que podemos notar entre a filosofia nascente e as concepções míticas é que esta não admitia reflexões ou discordância. A filosofia nascente por sua vez deixa o espaço livre para reflexão, daí cada filósofo surgir com uma explicação diferente para a origem do mundo.

Assim, todas as antigas afirmações à respeito da natureza (phisys) são questionadas, ou seja, os filósofos passam a exigir fatos que justifiquem as idéias expostas. Toda essa mudança de pensamento é de fundamental importância para o enriquecimento das reflexões pedagógicas em busca de um novo ideal de educação.

O Período Socrático (séculos V a IV a . C.) é marcado pela influência de três grandes filósofos, Sócrates, Platão e Aristóteles. 

Sócrates (470 – 399 a . C) tomou como ponto de partida o princípio básico da doutrina sofista. “ O homem é a medida de todas as coisas” ( CHAUÍ, p. 37 ). Se o homem é a medida de todas as coisas, é obrigação de todo homem procurar conhecer a si mesmo. Para ele, o homem deveria procurar conhecer a si mesmo. Para ele, o homem deveria procurar os elementos determinantes da finalidade da vida e da educação. Porém, a consciência individual deveria deixar de se fundamentar por simples opiniões, para poder guiar-se por idéias de valor universal.

O fim da educação, então, não era dar a informação sem base que, aliada a um verbalismo superficial e brilhante, constituía o ideal dos sofistas. Era ministrar saber ao indivíduo, pelo desenvolvimento do seu poder de pensamento. Todo indivíduo tem em si a capacidade de conhecer e apreciar tais verdades como as de fidelidade, honestidade, verdade, honra, amizade, sabedoria, virtude, ou pode adquirir essa capacidade. (PILLETTI, 1990.P. 33).

Platão nasceu em Atenas (428 -347 a.C.) de família nobre. Foi discípulo de Sócrates. A obra de Platão apresenta uma grande preocupação política com o seu país (que havia saído de uma tirania. Suas principais obras são: A República e As Leis. Para Platão até os 20 anos, todos merecem a mesma educação, nesta, ocorre o primeiro corte e se define que são os grosseiros que devem se dedicar a agricultura, comércio e ao artesanato. Depois devem estudar mais 10 anos e se dar o segundo corte,e se define daqueles que têm a virtude da coragem, esses serão os guerreiros que cuidarão da defesa da cidade. Os que sobrarem desses cortes serão incluídos na arte de dialogar e preparados para governar.

Na Grécia Antiga, o cuidado com o aspecto físico do corpo era muito importante. No entanto, Platão apesar de reconhecer a importância dos exercícios físicos, acreditava que a educação espiritual era superior a educação física. Tratase da superioridade da alma sobre o corpo, ele explica que a alma ao ter que possuir um corpo torna-se degradante. 

O conhecimento, para Platão, é resultado do lembrar daquilo que a alma já contemplou no mundo das idéias, sendo assim, ela consiste em despertar no indivíduo o que ele já sabe e, não se apropriar de um conhecimento que está fora. Outro aspecto da pedagogia platônica é a crítica que ele faz aos poetas. Na sua época a educação das crianças era baseada em palmas heróicas da época, mas ele diz que a poesia deveria ficar limitada ao mundo artístico e não ser usada na educação. 

Em Aristóteles (384-332 a.C.) podemos perceber um outro importante aspecto da pedagogia grega. Apesar de ser discípulo de Platão, ele desenvolveu uma teoria voltada para o real, onde procurava explicar o movimento das coisas e a imutabilidade dos conceitos, ou seja, para Aristóteles tudo tem um devir, um movimento, uma passagem. Ele também desenvolveu um conceito de educação partindo da idéia de imitação:

O que nos animais é apenas capacidade imitativa, no homem se converte numa arte. O homem se educa na medida em que copia a forma de vida das adultos. Ele se educa porque atualiza as suas energias. Segundo a doutrina de Aristóteles, o educando é potencialmente um sábio e, com a educação ele converte em ato o que é suscetível de desenvolver. (PILLETI, 1990, p. 35)

4 – Conclusão 

A educação formal, propriamente dita, teve início na Grécia antiga. Com intuito de atingir o objetivo deste trabalho e desenvolver uma pesquisa levantando dados históricos da evolução da educação na Grécia, é possível indicar alguns traços característicos da cultura grega que proporcionaram o desenvolvimento do ensino, tipo: o descobrimento do valor humano, do homem em si, da personalidade, independentemente de toda autoridade religiosa ; o reconhecimento da razão, da inteligência crítica, libertada de dogmas; a criação da vida cidadã, do Estado, da organização política. A criação da liberdade individual e política dentro da lei e do Estado; a invenção da poesia épica, da história, da literatura dramática, da filosofia e das ciências físicas; o reconhecimento do valor decisivo da educação na vida social e individual; da educação pública a consideração da educação humana em sua integridade física, intelectual, ética e estética.

Todas as características anteriormente citadas continuam sendo metas a serem atingidas pela educação atual. Assim, esperamos ter colaborado para a efetivação de um estudo crítico e reflexivo sobre a educação grega a partir do contexto histórico-social que a influenciou e determinou sob a perspectiva de que, sendo a educação um produto humano e histórico, pudéssemos perceber a educação atual como parte do desenvolvimento histórico. Paidéia é , talvez, entre todas, a maior e mais original criação cultural do gênio e do espírito gregos e que ainda hoje é pertinente à educação do homem atual, é modelo a ser seguido por todos aqueles que entenderem a educação como prática da liberdade. 

Enfim, em matéria de educação, os gregos não só definem o modelo, como, indicam a pedagogia a seguir. Por tudo isso, somos levados a concluir que uma história da educação, com sentido e significado para nós, para a nossa realidade educativa atual começa na Grécia Antiga.

6 – Bibliografia 

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. SP: Moderna, 1989. ___________ & MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. SP: Moderna, 1995. 
CAMBI, Franco. História da Pedagogia. SP: UNESP, 1999. 
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. SP: Ática, 1995. 
FONSECA, Maria de Jesus. A Paidéia Grega Revisitada. SP, artigo, s/d. 
GOMES, Joaquim Ferreira. História da Educação. Coimbra, 1967. 
GUIMARÃES, Maria Alice. História da Educação. Aveiro: Editorial Vouga, 1974. 
HOLANDA, Aurélio Buarque. Dicionário da Língua Portuguesa. RJ: Nova Fronteira, 1999. 
JÄEGER, Werner. Paidéia: A formação do homem grego. Lisboa: Áster, 1967. 
LUZURIAGA, Lorenzo. História da Educação e da Pedagogia. SP: Nacional, 1985. ___________ Pedagogia. SP: Editora Nacional, 1970. 
MANACORDA, M. A. História da educação da antiguidade aos nossos dias. SP: Cortez, 1992. 
MONROE, Paul. História da Educação. SP: Nacional, 1978. 
PEREIRA, Maria Helena Rocha. Estudos de história da cultura grega. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1971. 
PILLETI, Nelson. História da educação. SP: Ática, 1990.

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