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Desde a pré-história, a arte sempre teve um sentido transformador, que não precisa de justificativas. Esta para confundir, perturbar, provocar e incitar o espectador...


A finalidade do blog é a experiência da resignificação, de somar conhecimentos sobre a matéria que está sendo tratada. Especialmente aquelas que são complexas em locomover o objeto de estudo ao laboratório, por exemplo, na Astronomia. A observação junto com a experimentação, fazem parte de um método científico que trabalha de maneira complementária e permite realizar a verificação empírica dos fenômenos.

A reciclagem material não era a finalidade, mas se tornou a consequência.
Obs.: O consumo consciente ajuda a diminuir impactos negativos no meio ambiente.
Reflitam e se reeduquem!
O meio ambiente, a sua saúde física, mental e financeira agradecerão!




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Como surgiu o blog Brincadeira Sustentável

A sabedoria popular diz que a realização existencial, consiste em: "Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho". 
Plantei árvores, jardins e tenho uma filha.
E acabo de escrever um livro (que esta sendo revisado)
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Apaixonada desde sempre pelo universo das artes e pelo reaproveitamento de materiais, sempre gostei de testar tudo, minhas melhores lembranças de infância são ligadas a esse mundinho, quando sucatas, papelões, jornais, eram usados por mim, para exercitar minha criatividade e psicomotricidade. Acho que isso ajudou bastante no meu ofício . Adorava projetar e produzir brinquedos...

Sou ambidestra e sinestésica ... Quando estava grávida, não enjoava com sabores e odores, sim com as cores, sons e algumas coisas táteis.


Desde criança, sinto uma força ordenadora me vigiando, protegendo e me colocando à provas



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Uma das provas que passei na vida;
a maior experiência de fé que vivenciei e que deu origem ao blog " Brincadeira Sustentável":

Entre 4 e 5 meses após dar a luz, passei por um grave problema de saúde, que foi e ainda é muito difícil de explicar. 

Perdi a força, equilíbrio e postura corporal... percebia uma dissociação dos ossos... Meu corpo ficou semi paralisado.

Sentia um "dedo polegar" pressionando a região da nuca e garganta , minha cabeça e ombros não levantavam, e a sensação de estar com uma "placa de madeira", na parte de trás da minha cabeça, que cruzava com os ombros. Parecia que a pressão desse "dedo polegar" , diminuía a circulação do meu corpo, e surgiam fortes, insistentes e enlouquecedoras cãibras, que começavam nos pés, passavam por todo o corpo e chegavam na cabeça. Essas cãibras, geralmente aconteciam de madrugada, eu acordava querendo pedir ajuda, mas não conseguia emitir som nenhum, e tampouco bater palmas, então, pedia forças divinas para conseguir me concentrar, e no mínimo pegar o celular que estava no meu travesseiro. Quando finalmente conseguia pegar no aparelho, pedia novamente forças divinas, para acertar a opção do teclado, e ligar (pasmem) para as pessoas que dormiam ao meu lado, ou que estavam em outros cômodos da minha casa. Quando o telefone tocava de madrugada, já sabiam que eu estava precisando da companhia de alguém (sentia que estava caminhando para uma morte cerebral, estava percebendo o colapso de todos os orgãos) . O meu desespero, também passou a ser dos meus familiares.

Escutava sons agudos continuados (indescritíveis e ensurdecedores) , estava com a vista dupla e via flashes intermitentes de luz; sentia o corpo rodando como se estivesse em um redemoinho.
Quando conseguiam me sentar, meu corpo desequilibrava e tombava para o lado direito; meu rosto já estava ficando desalinhado.

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O ínício da investigação da doença

Procurei um oftalmologista, pois percebi minha vista fraca e desalinhada, achei que precisava usar óculos. Só enxergava bem, quando tampava um dos olhos.
Fui atendida, e então, a doutora fez o exame: pegou uma caneta, pediu para acompanhar somente com os olhos o movimento que ela iria fazer, com o objeto. Não movimentei coordenadamente os olhos, e fui informada que o meu problema não seria resolvido com doutores daquela especialidade e sim com neurologistas, pois eu estava com paralisia do VI nervo craniano. 
Também estava perdendo o equilíbrio na marcha.
Imediatamente, agendei uma consulta com o neurologista.
Quando fui atendida, o Dr. Arnaldo, fez o mesmo exame: pegou uma caneta e repetiu o procedimento do oftalmologista. Informou que precisaria me submeter a uma ressonância magnética do crânio, receitou uns medicamentos e pediu para que eu voltasse ao consultório na semana seguinte. 
Quando chegou o dia da consulta, eu já estava semi paralisada.
Fui carregada até o consultório, e entrei sentada em uma cadeira de rodas. 
O neurologista, Dr Arnaldo, se assustou com o meu estado deplorável, pois na consulta anterior eu andava e falava. Logo, suspeitou que seria EM - esclerose múltipla.
Imediatamente me encaminhou a UPA, para em seguida me encaminharem para um hospital universitário, HSE ou outro em que estudariam minuciosamente o meu caso.

Fui levada ao serviço de emergência da UPA, para avaliação (o médico de plantão também levantou a hipótese de EM) e finalmente encaminhada, para o HFSE no Rio de Janeiro, para investigação, avaliação e tratamento especializados. 
Cheguei no hospital às 06:00hs, por uma sorte incrível e graças a sensibilidade do responsável ao atendimento do ambulatório de neurologia do HFSE, fui autorizada a aguardar uma consulta do Dr. Rogério Naylor (e também por sorte, era o dia de plantão dele). Quando o Dr. chegou ao consultório, o atendente informou que eu era mais uma paciente que aguardava sua chegada; então, ele me cumprimentou e disse que seria atendida. Logo, providenciou a minha carteirinha do SUS.
O Dr atendeu a todos que estavam agendados , mas a cada intervalo, seguia em minha direção, e solicitava que fizesse algum gesto, como acompanhar a caneta, apertar os olhos, apertar suas mãos, tentar sorrir, arrastou uma chave na sola do meu pé, ..., depois do quarto paciente, o Dr. além de me examinar rapidamente, começou a perguntar "Tem mais alguém para ser atendido, além da Renata?", "está muito difícil de avaliar", ele com sua experiência, percebeu que precisava ser atendida e internada imediatamente, mas precisava respeitar a fila de espera.
Fui atendida às 13:00 hs. 
O Dr. e mais dois residentes procuravam entender o que se passava comigo, mas a avaliação foi complicada. O olhar deles para mim era de espanto. 
Fui informada que seria internada. Meu pai e uma amiga , me acompanhavam, ficaram atônitos, e eu que até então, estava tranquila, pois sabia que naquele momento a internação, seria a melhor solução, passei a ficar desesperada, não queria mais ser internada e surtei. Surtei com a reação deles e obviamente os meus sintomas pioraram. Obs.: é extremamente necessário que a família e amigos de pessoas enfermas, mantenham o equilíbrio , no mínimo, quando estiverem em frente ao enfermo, caso contrário, ele surta, pois tem essas pessoas como ponto de apoio. 
O meu maior receio, era que os meus familiares não suportassem e perdessem o rumo. O medo deles me desequilibrou, então, o meu surto foi esmagador, difícil de evitar.
Queria dizer que estava bem, mas não conseguia... não  falava (a língua estava paralisada), não escrevia (sentia fortes cãibras), não realizava gestos (tremia exageradamente) ou troca de olhares (estava com diplopia - tinha a sensação de estar com 3 olhos no rosto). 
Quando tentava, olhar ou apontar para a frente, minha vista ou braço desviavam para a esquerda, direita ou para baixo. Não conseguia me expressar de forma alguma
Desejei intensamente, que realizassem os exames, e que respondessem de forma bem clara e suficientemente compreensiva o que me ocorria, para então, receber o tratamento adequado.
...

Foi levantada fortemente a suspeita de EM – Surto de Esclerose Múltipla (doença neurodegenerativa). A paralisia não era somente no VI nervo craniano e sim, no VI, VII, IX e X nervo craniano .
Porém, já ocorreu um caso de esclerose múltipla na minha família, e sabíamos que nesse tipo de doença, os sintomas da degeneração neurológica, raramente aparecem juntos no mesmo paciente, e no meu caso, primeiro apareceu a diplopia (fiquei durante um mês sentindo a minha vista desalinhando), e quando fui comunicada que meu problema era neurológico, fiquei extremamente nervosa e os outros sintomas surgiram juntos e com uma intensidade muito forte. Os músculos do meu corpo paralisaram, perdi o movimento dos braços e pernas, assim como o resto da musculatura voluntária, incluindo a força para manter a cabeça erguida.
Então, eu e meus familiares mais próximos, estávamos certos que o diagnóstico não era esse, mas os médicos, desde o primeiro consultório em que fui atendida, e UPA (todos muito atenciosos), insistiram, pois precisava dar entrada no hospital, para em seguida, poderem iniciar a investigação sobre o meu caso.
...
Fui à sala de tomografia computadorizada, acompanhada do Dr. Rogério Naylor. 
...
Continuava surtada! 
É difícil descrever, o que é estar semi paralisada e surtada. 
Aliás, gostaria de relatar resumidamente, tudo o que aconteceu, mas é impossível.
...
Finalmente fui internada na enfermaria (por sorte, tinha 1 leito me aguardando). Com queixa de:
- diplopia, ataxia, disfonia e disfagia
E ao exame apresentava:
- força grau IV nos 4 membros;
- paratonia, com reflexos axiais de face exaltados;
- dismetria bilateral (E>D), com tremor cefálico em negação;
- sinal de Babinski bilateral;
- paresia de reto lateral bilateral (E>D), nistagno vertical e horizontal
- paresia de palato bilateral, sem reflexo nauseoso e disfonia.

Fui muito bem recebida pelo chefe da enfermaria, Enf.: Barbosa e sua equipe, que tentavam me tranquilizar. Me acalmei, quando vi o anel que estava em seu dedo brilhar na minha direção, e vi nitidamente a imagem de São Jorge.
...
Durante os dias em que estive internada, fui  muito bem avaliada, pela excelente equipe do Dr Rogério Naylor e Dr Marcelo Cagy e passei por inúmeros exames para tentarem fechar o diagnóstico.
Foi realizada Ressonância magnética de neuro eixo - com evidência de lesão extensa em ponte e bulbo, sugestiva de processo inflamatório.
Punção lombar, ... tudo liberado pelo centro de estudos.
...
Fiquei absurdamente 1 mês ou mais sem evacuar.
Minha língua e garganta estavam paralisadas, então, para me alimentar, precisei usar sonda nasogástrica - um tubo de polivinil que quando prescrito, deve ser tecnicamente introduzido desde as narinas até o estômago... Eu já estava surtada, e quando a enfermeira chegou com essa sonda, o delírio foi ao extremo, (lembro que por pouco, os enfermeiros pensaram em me amarrar na cama) . Quando a sonda foi retirada, vi uma luz muito intensa, no chefe da enfermaria (foi ele quem autorizou a retirada).
O  meu convívio com essa sonda, foi da seguinte forma: quando dei entrada na enfermaria, e fui submetida a mais uma avaliação, o Dr. Marcelo Cagy, ordenou que introduzissem a sonda... não sei como consegui, mas, fiz um escândalo! Aquela sonda ficou na minha garganta, em torno, de 2 semanas ... sussurrava, para todos os  enfermeiros que entravam no quarto, para que retirassem a sonda... eu necessitava sentir o frescor da água passando na minha garganta, mas não podia beber, por causa da sonda, se ingerisse algo, poderia engasgar e consequentemente seria submetida a mais um tipo de tratamento.
Mas, quem consegue explicar isso, para uma pessoa que esta recebendo um tratamento neurológico?... irritei tanto, que alguns enfermeiros, não entravam mais no quarto, por minha culpa, minha tão grande culpa, rs... eis que em um dia, aproximadamente 12 dias de uso da sonda, a "bendita" entupiu, então, não passava mais alimento para o meu corpo... quando uma enfermeira percebeu, ela ficou nervosa e tentou desentupir, mas não conseguiu... então, sussurrei e perguntei o que estava acontecendo... ela respondeu nervosa, mas com um certo cuidado, ... perguntei, o que seria feito e ela respondeu que teria que retirar a sonda... fiquei feliz! Porém, ela respondeu que introduziria outra sonda... a felicidade foi dissipada e supliquei, que ela desentupisse aquela... ela não conseguiu desentupir e retirou a sonda... quando a outra enfermeira chegou com a sonda nova e se aproximou para introduzir, novamente, eu já estava entrando em desespero, e vi por segundos, sem diplopia, a ponta de uma "lança"! Entre o meu nariz e a sonda. O meu rosto foi virando para a esquerda, da ponta da "lança", até  a base. Quando chegou na base da "lança ", estava o Barbosa (completamente e literalmente iluminado), o enfermeiro chefe, o mesmo em que vi o anel de São Jorge em seu dedo.... ele disse para a enfermeira Adriana: "não coloca a sonda, que eu me responsabilizo "... A sonda não foi introduzida... foi no dia 20 de novembro ... ainda não sei descrever a sensação. Foi irradiante! Para surpresa de todos ao meu redor, consegui me alimentar sem dificuldades, e a melhora gradativa, teve seu início... 

Voltando...

Mesmo sem conseguir  me comunicar e com a mobilidade comprometida, sabia de tudo o que estava acontecendo. Surpreendentemente tinha a consciência que estava surtada, e pedia a tudo o que tem de mais sagrado, para me devolver a lucidez. Pensava na minha filha o tempo inteiro.
Não dormia, pois achava que se fechasse os olhos , não abriria mais.

Estava sobrevivendo ao Caos.
...
Nas visitações diárias, surgiram vários grupos de orações. Todos com boas intenções. Mas me irritavam, porque naquele momento eu queria o silêncio, necessitava de calmaria, principalmente porque meu problema era neurológico. E em alguns momentos, fingia que estava dormindo e rezava para que todos sumissem de lá, e impressionantemente sumiram, LOL . Passaram a ir somente aos domingos. No último domingo em que estive lá, não apareceu nenhum grupo. 
Eu pedia misericórdia por mim, por eles, e por todos nós.
...
Fiquei muito sentida por não ter visto grupos católicos.
Então comecei a fazer sozinha minhas preces, e finalmente "mergulhei' no mistério da fé. 
Sabia que precisava ser paciente como o profeta Daniel, que foi atirado na cova dos leões famintos por ser fiel a Deus. Ele poderia ter renunciado a tudo que cria, mas manteve firme e o Senhor o livrou. 
Com muita fé, eu não parava de orar, pois tinha a certeza que Deus não falharia. Era repetitiva, mas conseguia rezar todas as orações que aprendi em português, latim e grego... 
...
No decorrer da minha vida, aprendi como a oração é valiosa... não uma pequena prece, mas uma longa, falando com Deus. 
Fui a todas as raizes da fé.
... meditava várias passagens da Bíblia, como por exemplo, sobre Moisés, que tinha uma fé inabalável , e uma incrível trajetória (Moisés talvez não imaginasse, que Deus estava prestes a abrir o mar Vermelho, para que os israelitas escapassem. Mas ele confiava que Deus faria alguma coisa para proteger Seu povo ...), meditei: eu tenho 100% de fé que vou sair desse pesadelo e sem sequelas...
... lembrava dos ensinamentos de Dom Estevão Bettencourt, O.S.B. (Diretor Emérito da Escola de Fé e Catequese Mater Ecclesiae). Reforcei as súplicas.  


Porém, a oração que mas fiz, foi a Ave Maria! 
Κεχαριτωμένη

Pedi intercessão a ela!
Sou católica e discípula de Maria, a verdadeira Arca da Aliança.
Maria é a medianeira de todas as graças, pois Jesus, o verbo encarnado, passou pelo seu ventre. E sobre ela a palavra se manifestou!
Ela como nossa primeira catequista, disse: " Fazei tudo o que ele vos disser" Jo 2: 5

Então, a adoração ao Sagrado Coração de Jesus passou a ser minha prioridade máxima... e pronunciava Salmos... orava, não até Deus me ouvir, mas até eu ouvir a Deus! 
...
Com 15 dias de internada, os laudos dos exames prontos, os médicos ficaram sem saber do que se tratava, e a esclerose múltipla foi descartada... sabiam que era uma grave lesão no tronco cerebral - ponte, bulbo e cerebelo (o centro da vida), que não se tratava de uma doença rara e sim única... Iniciaram a pulsoterapia (corticóides na veia). Parecia que minha cabeça descongelava e tinha a sensação de cócegas que se espalhavam na parte de trás da cabeça e desciam para a nuca. 
Os médico perceberam que os sintomas sumiam e recebi alta na semana seguinte, sem nenhuma patologia específica. 
...
Com a ajuda de maqueiros, consegui sair do hospital andando (o pescoço e a coluna, sempre foram os membros mais pesados do corpo, os braços e as pernas pareciam que estavam deslocados, a audição era limitada, a visão continuava dupla e às vezes tripla (uma sensação apavorante, a pior de todas).
Médicos, enfermeiros e amigos que acompanharam meu caso, ficaram surpresos com o início da melhora... e como sempre fui uma pessoa observadora e solidária com o próximo, deixei uma lembrança para cada enfermeiro, como pedido de desculpas , por ter perturbado eles. Foi um agradecimento por toda a atenção dispensada. Eles ficaram surpresos , quando perceberam que eu sabia o nome de cada um.
...
Voltei para casa , procurei logo minha filha, que estava com 5 para 6 meses de vida. Ela estava dormindo no berço e fiquei esperando acordar. Quando abriu os olhos e me viu, estendeu os braços... Não consigo relatar a emoção que senti...
Continuei o tratamento com o Dr Marcelo Cagy, que incluiu anti-inflamatórios (foi necessário uso prolongado de corticóides - aproximadamente 1 ano e meio), fonoaudiologia (minha dicção, ficou péssima) e fisioterapia...
A fase da recuperação , foi tão complicada e desesperadora, quanto a fase do surto da doença, pois as dores que eu não senti no surto, senti na recuperação de cada movimento. 


O primeiro movimento que normalizou, foi o da coluna e do pescoço, a dor foi insuportável, mas voltei logo a sentar, falar (com dificuldade, por um longo tempo) , me alimentar. Com o tempo reaprendi a andar, levantar os braços, manter a cabeça firme, movimentar os olhos coordenadamente, ... 
indicaram que eu usasse um andador ortopédico ou uma bengala, mas eu não aceitei, pois me sentiria desmotivada, queria recuperar rapidamente o controle de movimento de marcha e reflexos, precisava enrijecer as pernas para sustentar o corpo contra a gravidade ... preferi usar o carrinho de bebê da minha filha. Ela também participou do meu processo de reabilitação, na medida que interagíamos, eu começava a reencontrar o centro de equilíbrio do meu corpo e da mente. Colocavam ela dentro do carrinho, então, me equilibrava e empurrava, sempre com um acompanhante me coordenando, dando segurança e orientando, e assim ia treinando minha marcha. Demorei a caminhar normalmente, algumas vezes me desequilibrava e caía. Mesmo, com dificuldade de sentir a "planta" dos pés, não desisti. 
O ser humano necessita do movimento para viver e se desenvolver. Eu caminhava, caminhava, caminhava, e gradativamente recuperava a coordenação, a aprendizagem de movimentos rítmicos, o equilíbrio, desinibição e segurança motora; a autoconsciência motora e corpórea, pelo estímulo perceptivo e pelo bem-estar derivante de estar de volta ao convívio com minha filha, e de integração da própria imagem psíquica. Foi um tratamento de forma global - emotivo, motor e cognitivo... Sentia melhoras no equilíbrio, na noção de espaço e da postura, minha musculatura tonificava e minha dicção voltava ao normal em função da respiração correta. 

Foi engraçada a reação de alguns vizinhos , que acompanharam o meu caso na época do surto, e quando me viram treinar. Paravam o que estavam fazendo, se aproximavam e vinham me cumprimentar ... Eles também foram essenciais. Alguns ajudaram a me carregar e levar aos consultórios, emergências, ao hospital e a voltar a andar... Desde o início, foi como se estivesse cercada por anjos, ajudantes ou mensageiros de Deus.
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Na região do diafragma, parecia que tinha uma corda amarrada; eu respirava (óbvio), mas não conseguia suspirar... A diplopia e a audição foram os sintomas que mais persistiram. Quando a movimentação dos meus olhos estavam voltando ao normal, eu sentia os globos oculares "entrarem" e "saírem", e não sei descrever essa sensação. E a audição? MEU DEUS! Ouvia barulhos assustadores, e sentia uma pressão intracraniana, pontadas muito fortes e frequentes, parecia que entravam dois vergalhões, um em cada ouvido! E os dois "vergalhões" se encontravam no meio da cabeça, e ficavam rodando como se fossem cotonetes! E quando finalmente senti os "vergalhões" saírem, quase desmaiei, mas, minha audição voltou ao normal... (nesse momento lembrei do significado de uma palavra em aramaico: éfeta... e tentei me fortalecer). 
...
A redução do uso de corticóides (desmame) foi gradual e nada agradável. Por três vezes, antes de dormir, senti um intenso tremor no corpo, e cheguei a pensar que estava sendo eletrocutada. Quando senti que estava bem, corri para a frente do espelho, pois achava que estava com o rosto todo retorcido; observei meu reflexo , e vi que estava normal. Provavelmente, aquela sensação de choque, foi psicológica.
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A cada dor que sentia, me lembrava dos dias em que estive internada no prédio principal do HFSE- RJ, 7º andar, e ouvia os gritos de outros pacientes, não sabia distinguir se eram gritos de dores ou delírios. No setor feminino , conseguia ouvir os gritos do setor masculino. As pacientes do setor feminino, quando andavam pelos corredores , diziam que tinham delírios e consequentemente vontade de pular das rampas, que davam acesso aos outros andares... Era uma aflição indescritível! Um dia antes de receber alta, pedi para me levarem até a janela, quando encostei no parapeito, tive a sensação que eu e a parede iríamos cair ... e sempre achava que iria cair da cama ou da cadeira de rodas ...
... outras reações dos corticóides, e da amitriptilina, também foram terríveis, como por exemplo: antes do surto meu peso era 55kg, no surto foi a 40kg, na recuperação e com o uso de corticóides, fui aos inacreditáveis 100kg... Após o uso das medicações, consegui perder 40kg... Até hoje, luto contra a balança. Minhas unhas passaram a quebrar na vertical, não na horizontal...
...

Para suportar as dores que persistiam, eu continuava insistentemente as orações e meditações ... Já estava chegando ao meu limite... mas, não podia fazer como Pedro, que sentiu medo e afundou. Continuei com fé e segui andando firme, segurando nas mãos de Jesus.
...

Lembrei de uma ocasião, aproximadamente uns 15 anos atrás, que fiquei sabendo em conversas informais com amigos, de três mulheres que estavam com problemas nos ovários, sentiam dores, sangravam desordenadamente e iriam passar por procedimentos cirúrgicos... fiquei muito comovida por elas, e pelos filhos que tinham (crianças)... e sem comentar com ninguém, silenciosamente pedi intercessão por elas. Após as cirurgias que foram submetidas, procurei saber como as três estavam, e com imensa alegria, recebi a notícia que estavam surpreendentemente bem, inclusive uma delas, após alguns meses conseguiu engravidar. Essas três mulheres, até hoje não sabem que orei por elas.
... Com essa e outras lembranças, iniciei um processo de aprendizagem autodidata, de interiorização e relaxamento, uma meditação:
Uma antiga forma de oração cristã, contemplativa que procura Deus no silêncio e na quietude, para além das palavras ou pensamentos... Estava interiormente silenciosa e calma e ouvi uma voz : “Venha como estais”, “levanta-te". Tranquilamente, caminhei do quarto até a sala e com a mesma calma que ouvi a voz, respondi: "Eis me aqui, ... fala Senhor, que tua serva, escuta ” e mais uma vez ouvi "... será guiada e guiarás..." Observei umas garrafas pet , e novamente ouvi a voz " Eis, aqui, à sua matéria prima e terapia , faça-se, recosntrua-se, seja! ..." Não sei se o recado era esse (poderia ser delírio, mas lembrei novamente do significado da palavra éfeta... obs.: tudo o que acontecia ao meu redor, eu imediatamente, procurava alguma menção da Bíblia Sagrada, como inspiração), e como sempre trabalhei com artes, principalmente para crianças, fiquei observando as garrafas pet e vi vários brinquedos nela... vai e vem, aviões, bonecas, jogos, ..., cálculos matemáticos, ... músicas... danças circulares ... Não estranhei, pois sempre convivi com a sinestesia.
Ainda recuperando meus movimentos, comecei a produzir brinquedos com material reaproveitado ... a partir desse momento, comecei a sentir os benefícios da arte, como terapia.
... 
Além da minha família e amigos, que sempre estiveram ao meu lado, a arte terapia foi um catalizador, favoreceu meu processo de recuperação. Foi um tratamento psicomotor que realizou a interação dos sentidos, da motricidade do cognitivo, com o meio facilitatório da arte com o reaproveitamento de materiais, através de estímulos desenvolveu e aprimorou a noção de esquema corporal, a coordenação motora ampla e fina, a lateralidade, o ritmo, a estrutura espacial, a organização temporal e a socialização. 
Minha auto estima melhorou. O estresse e a ansiedade pela cura foram diminuindo, os sintomas da doença sumindo ... Voltei a ter autonomia do corpo. As minhas funções vitais voltaram a ser controladas e realizadas espontaneamente, e aquele quadro irreversível do início da doença, a certeza que estava caminhando para uma morte encefálica, se distanciou absurdamente. Minha audição e visão finalmente estavam em perfeita sintonia. 

As sensações de satisfação e prazer, foram promovendo uma organização psíquica. Senti um prazer enorme quando finalmente reaprendi a suspirar, me espreguiçar... foi um alívio, sentir a circulação da sola dos pés, voltar ao normal. Era estranho , mas parecia que tinha um motorzinho dentro de mim ... 

E em alguns momentos , a música (erudita) também causou efeitos relaxantes na minha cabeça, e sentia ela "descongelando"; foi uma sensação estranha, porém agradável. Acredito que a sinestesia também tenha me ajudado. 
Foi quando comecei a assimilar, a ação de Deus na minha vida... Lembrei de Eclo 2 ...

Confiante, me dediquei na produção dos brinquedos. Fui fazendo uma peça aqui , outra peça ali. Então , criei de forma completamente despretensiosa um blog no Google, uma fanpage na rede social Facebook e no Instagram. A princípio seriam utilizados somente para pesquisas e atualizações dos meus trabalhos, uma distração, pensei que só seriam vistos por mim e escrevi no título "Brinquedos e atividades com material reciclado, para maternal". Para minha surpresa, as páginas foram ganhando força e visibilidade, e percebi que não poderiam ser somente para maternal, que eu não estava fazendo reciclagem e sim reaproveitamento (um "parente" da reciclagem. O que é ou parece lixo para você, pode ser um tesouro, uma matéria prima para a criação de algo novo para outra pessoa. E é disso que se trata o reaproveitamento, que em um mundo cada vez mais necessitado de atitudes sustentáveis, pode ser crucial, além de rentável). As postagens mais visualizadas e comentadas nas páginas, não eram somente sobre o reaproveitamento e sim, a fusão da arte do reaproveitamento com a psicomotricidade... Um assunto se interligou ao outro... 
Troquei o nome da Fanpage por "Brincadeira Sustentável" ( na página antiga , eram 230 mil seguidores. A internet é como se estivéssemos sempre lançando garrafas com mensagens ao mar... vez em quando alguém lê a mensagem e responde, e normalmente, quando você mais precisa. Mas de repente apareceu uma multidão. Não conseguia responder a todos, porém adorava receber cada pergunta, às vezes, eram apenas um simples "Oi", "Hi", "Hello";  e foi mais um tipo de "terapia". Eram brasileiros, chilenos, argentinos, colombianos, venezuelanos, canadenses, asiáticos, europeus, ... , e de lugares bem inusitados, como Sultanato de Omã, Myanmar, Indonésia, Moldávia, Silay, Karachi uma cidade que fica as margens do Mar Arábico, no Paquistão, ...
O Google tradutor foi e ainda é o meu maior parceiro (LOL)... 
Como todas as páginas que existem na internet recebem perguntas, a minha página não fugiu a regra, e recebi muitas dúvidas e comentários (ainda recebo). Muitas perguntas de vietnamitas! Eles gostaram do post sobre casas construídas com garrafas pet. Australianos, alemães e europeus de um modo geral, gostavam de tudo sobre upcycling. Portugueses (alguns estudantes da universidade de Coimbra), curtiam os brinquedos pedagógicos, psicomotricidade. Os russos? Esses me surpreenderam, pois muitos perguntavam sobre decoração de festas! Italianos, pediam dicas para criarem espaços verdes, hortas, jardins e paisagismos sustentáveis no interior de ambientes, como escolas. Brasileiros, sobre arte terapia, psicomotricidade, hortas, e a grande maioria eram professoras do ensino infantil, estudantes do ensino médio, e profissionais de terapia ocupacional ... 
... Todos me cativaram, mas os asiáticos, conseguiram ser os mais queridos, os que mais me deixam comovida até hoje!...
Eu ficava matutando: " meu Deus , o que eu escrevi , para ser procurada por tantas pessoas? " ... No momento atuo mais no Instagram ...
Com a visibilidade das páginas, vários profissionais começaram a me procurar para criar oficinas, exposições de brinquedos, em escolas e parques, e ensinar crianças, professores, monitores, pais, membros de associação de moradores a produzirem brinquedos... minha página e trabalho foram mencionados na rede social do Ministério do Meio Ambiente... Sou curiosamente seguida no Instagram, pelo Ministério da Ciência, por grupos religiosos, pelo respeitado Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes, ...
Resumo: além da minha fé ter aumentado... ter sentido os benefícios da arte terapia, também observei nas oficinas de brinquedos dos quais participei, que reaproveitar matéria prima que de outra forma seria acondicionada em aterro/queimada, ou lançadas em leitos de rios ou oceanos, também se enquadra não só como uma atividade ou brincadeira, mas como uma prática econômica, social e inclusiva. Em muitas situações, a partir da execução dos brinquedos, mudanças sociais, comportamentais e ambientais podem ser observadas, como a interação entre pais e filhos e de crianças especiais com seus familiares. Crianças e adultos se divertem ajudando a produzir os brinquedos. Garrafas pet, são transformadas em aviões e outros objetos, levando alegria às crianças, e também a conscientização sobre a defesa do meio ambiente e cidadania. 
A produção de resíduos é inerente à condição humana, mas precisamos nos reeducar e consumir menos. 

Podemos reaproveitar e reutilizar detritos como vidros, papéis, plásticos, pneus, metais e a infinidade de lixo que produzimos a cada minutomodificá-los em novos e surpreendentes brinquedos, transformando em uma atividade de educação ambiental e cidadania, prazerosa, e com um poder curativo, tanto a saúde física, como a mental. 

Algumas observações


*Desde que tive alta no hospital, meu neurologista
 (que não quer me perder de vista; não tenho o que reclamar do SUS!) solicita uma Ressonância Magnética do crânio, por ano. Nas RMs foram constatados que tinha uma mancha na região onde ocorreu a lesão. Perguntei ao meu neurologista, o que aquela mancha significava e ouvi a resposta que era uma cicatriz... e sempre que volto no hospital, fica cada vez mais constatado que não tenho esclerose múltipla, e tampouco sabe-se dizer qual a patologia que tive., ... Não utilizo mais corticóides, mas, ainda não tive alta... Na última avaliação com meu neurologista , foi recomendado que eu pratique aulas de dança... Já participo de aulas de canto e descobri mais uma peculiaridade minha. Meu Mestre disse que sou contralto. Adorei! 
                                                              
*Nos últimos dias em que o HFSE foi minha morada, duas médicas foram me avaliar (rotina diária).
Passaram uma chave, na planta do meu pé. Nos dias anteriores eu não sentia, mas nesse dia eu senti e flexionei os dedos. A médica que me acompanhou diariamente, disse para a outra pasma: "Até ontem isso não acontecia". A outra médica olhou para mim e perguntou: "Renata, qual é o seu mistério?"
Respondi com muita dificuldade na fala, a minha afirmação de fé:  "Eu creio ..." e elas sairam atônitas.
Recebi alta no dia seguinte.
Como já foi dito, em todos os dias que estive no hospital , eu recitava orações ,(interiormente, óbvio) e uma das orações, foi o CREDO.

Profissão de fé - creio 
Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos.
Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.

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Antes, me considerava descendente de Tomé, aquele que precisou ver para crer (mas, podemos dizer que, Tomé duvidou para que nós pudéssemos crer)

Hoje, me considero descendente de Abraão, o Pai da fé. 
Filha de Deus, o mesmo Deus que abençoou os nossos primeiros pais no Paraíso; 
Deus dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó; 
Deus de José; Moisés; Elias; de Maria, mãe do Verbo encarnado; 
o mesmo Deus que termina a anunciação em João Batista e vai até Jesus, onde ele começa a reinar.


Enfim, entendo que filosofias são racionais, humanas. Fé é sobrenatural. É divina. Por isso, apesar de todo o pensamento construído, quando a fé se manifesta, filosofia alguma resiste.

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Plantei sementes,
Semeei amor,
Inspirei histórias,
Dei a luz a mim mesma,
Estou sendo lida por inúmeras pessoas . 

Por amor sobrevivi... por amor fui curada... transformada...
Renasci!

Renata Bravo

brincadeirasustentavel@gmail.com

A fé nos faz ultrapassar as barreiras do espaço e do tempo; o longe não existe mais e o depois acontece já! Aquele centurião romano, que se aproximou de Jesus e pediu uma cura para seu servo que estava lá na sua casa, distante, ele teve fé. E Jesus disse: "Pode ir, o teu servo está curado!" Ele não levou o seu servo até Jesus, ele confiou que a fé ultrapassa as barreiras do espaço, da distância e que a fé, também, ultrapassa as barreiras do tempo, quando ele chegou lá, algum tempo depois, realmente o seu servo, seu amigo estava curado. Quem crê faz o futuro acontecer. (Mt 8,5-17)



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