Translate

É a experiência da resignificação, de somar conhecimentos sobre a matéria que está sendo tratada. Especialmente aquelas que são complexas em locomover o objeto de estudo ao laboratório, por exemplo, na Astronomia. A observação junto com a experimentação, fazem parte de um método científico que trabalha de maneira complementária e permite realizar a verificação empírica dos fenômenos.

A reciclagem material não era a finalidade, mas se tornou a consequência.
NÃO AO CONSUMISMO! SE REEDUQUEM E CONSUMAM MENOS. O MEIO AMBIENTE, A SUA SAÚDE FÍSICA, MENTAL E FINANCEIRA AGRADECERÃO!



Visitantes

Seguidores

Como surgiu o blog Brincadeira Sustentável


" Existe uma ordem admirável no Universo que é facilmente verificada. Ora, toda ordem é fruto de uma inteligência ordenadora. não se chega a ordem pelo acaso e nem pelo caos. Logo há um ser inteligente que dispôs o universo de uma forma ordenada. Com efeito aquilo, aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus."
Tomás de Aquino, que na Suma Teológica tenta provar a existência divina sem  apelar para a fé.




Carioca, Artista Plástica , Designer de brinquedos;
Estudante presencial de Mater Ecclesiae (área de Ciências humanas e sociais) - Teologia, Filosofia e Sociologia - meus mestres são seminaristas, padres, diáconos, frades, freis, freiras, monges ;
Mistagogia, Arte Sacra - Fac. São Bento / RJ;
Entusiasta das teorias quânticas - física e mecânica. 
Também exerço a melhor profissão do mundo: sou mãe!

Apaixonada desde sempre pelo universo das artes e pelo reaproveitamento de materiais, sempre gostei de testar tudo, minhas melhores lembranças de infância são ligadas a esse mundinho, quando sucatas, papelões, jornais, eram usados por mim, para exercitar minha criatividade, e acho que isso ajudou bastante no meu ofício. Adorava projetar e produzir brinquedos...

Também sou sinestésica, vejo cores nas letras e números; observo sons, ritmos; sinto sabor nas cores; observo números com formas e paisagens; ... Quando estava grávida, não colocava algumas roupas, porque sentia os tecidos doces, muito açucarados. Não enjoava com sabores e odores, sim com as cores, sons e algumas coisas táteis.

Muitas vezes, vejo ou mentalizo algo que certamente acontecerá. 
Por exemplo: uma vez tentaram me trapacear, descobri, e os planos dessas pessoas caíram por terra, e impressionantemente não precisei movimentar um dedo contra esses cidadãos, somente mentalizei e confiei no Supremo.
Quando fico sabendo de injustiças, mentalizo para que o injustiçado seja abençoado pelo Supremo, e pasmem, tudo se resolve favoravelmente ao injustiçado LOL 
Porém, nesses momentos, me sinto filha de Tomé. Preciso ver para crer, que realmente ocorreu o fato.

E sempre foi assim desde criança, sinto uma força ordenadora me vigiando, protegendo e me colocando à provas.


______________________

Uma das provas que passei na vida, e que deu origem ao blog " Brincadeira Sustentável"

5 meses após dar a luz, passei por um grave problema de saúde, que foi e ainda é muito difícil de explicar. Eu sentia um "dedo polegar" pressionando a região da nuca e garganta (minha cabeça e ombros não levantavam), e também, parecia que tinha uma "placa de madeira", na parte de trás da minha cabeça, que cruzava com os ombros. Parecia que a pressão desse "dedo polegar" , diminuía a circulação do meu corpo, e desencadeava um conjunto de sintomas. Escutava sons agudos continuados (indescritíveis e ensurdecedores) , fiquei com a vista dupla e via flashes intermitentes de luz, era como se estivesse dentro de um furacão. Me assustava com barulhos inesperados. Meu corpo ficou semi paralisado. Quando conseguiam me sentar, meu corpo desequilibrava e tombava para o lado direito. Meu rosto já estava ficando desalinhado.

Estava com ataxia, um transtorno neurológico caracterizado pela falta de coordenação motora e planejamento dos movimentos - perdi a força, equilíbrio e postura corporal. Não conseguia levantar o pescoço, engolir, falar, colocar a mão no rosto, ... sentia fortes cãibras, que começavam nos pés, passavam por todo o corpo e chegavam na cabeça. As cãibras, geralmente aconteciam de madrugada, e eu acordava querendo pedir ajuda, mas não conseguia falar, quanto mais gritar, então, pedia forças divinas para conseguir me concentrar, e no mínimo pegar o celular que estava ao lado da minha cabeça , no travesseiro. Quando finalmente conseguia pegar no aparelho, eu pedia novamente forças divinas, para acertar a opção do teclado, e ligar (pasmem) para as pessoas que estavam dormindo ao meu lado, ou que estavam em outros cômodos da minha casa. Quando o telefone tocava de madrugada, já sabiam que eu estava precisando da atenção, da companhia de alguém (sentia que estava caminhando para uma morte cerebral, estava percebendo o colapso de todos os orgãos) . O meu desespero, também passou a ser dos meus familiares...
______________________

O ínício da investigação da doença

Procurei um oftalmologista, pois percebi minha vista fraca, embaçada e desalinhada, achei que precisava usar óculos. Só enxergava bem, quando tampava um dos olhos.
Fui atendida, e então, a doutora pegou uma caneta, pediu para acompanhar somente com os olhos o movimento que ela iria fazer, com o objeto. Não movimentei coordenadamente os olhos, e fui informada que o meu problema não seria resolvido com doutores daquela especialidade e sim com neurologistas, pois eu estava com paralisia do VI e VII nervo craniano - diplopia (visão dupla). 
Também estava perdendo o equilíbrio na marcha, no caminhar.
Imediatamente, agendei uma consulta com o neurologista, mas infelizmente, o doutor só poderia me receber na semana seguinte. Aguardei. 
Quando fui consultada, o Dr. Arnaldo, também pegou uma caneta e fez o mesmo procedimento que o oftalmologista, e informou que precisaria me submeter a uma ressonância magnética do crânio, receitou uns medicamentos e pediu para que eu voltasse ao consultório na semana seguinte. 
Quando chegou o dia da consulta, eu não conseguia andar. 
Não tinha equilíbrio, força, reflexos do vômito, deglutição, tosse e bocejo. 
Fui carregada até o consultório, e entrei sentada em uma cadeira de rodas. 
O neurologista, Dr Arnaldo, se assustou com o meu estado deplorável, pois na consulta anterior eu andava e falava. 
Imediatamente me encaminhou para a UPA, para em seguida me encaminharem para um hospital universitário, HSE ou outro em que estudariam minuciosamente o meu caso.

Fui levada ao serviço de emergência, para avaliação (UPA) e finalmente encaminhada, para o HFSE no Rio de Janeiro, para investigação, avaliação e tratamento especializados. 
Cheguei no hospital às 06:00hs, por uma sorte incrível e graças a sensibilidade do responsável ao atendimento, do setor de consultas de neurologia do HFSE, que viu o meu estado, fui autorizada a aguardar uma consulta do Dr. Rogério Naylor (e também por sorte, era o dia de plantão dele). Quando o Dr. chegou ao consultório, o atendente o informou que eu era mais uma paciente que aguardava sua chegada; então, ele me cumprimentou e disse que seria atendida. Logo, providenciou a minha carteirinha do SUS. O Dr atendeu a todos que estavam agendados , mas a cada intervalo, ele vinha em minha direção, e solicitava que fizesse algum gesto, como acompanhar a caneta, apertar os olhos, apertar suas mãos, tentar sorrir, arrastou uma chave na sola do meu pé, ..., depois do quarto paciente, o Dr. além de me examinar rapidamente, começou a perguntar "Tem mais alguém para ser atendido, além da Renata?", ele com sua experiência, percebeu que eu precisava ser atendida e internada imediatamente, mas precisava respeitar a fila de espera.
Fui atendida às 13:00 hs. O Dr. e mais dois residentes procuravam entender o que se passava comigo, mas a avaliação foi difícil, realizavam inúmeros exames físicos. O olhar deles para mim era de espanto. Sabiam que eu sentia rigidez na nuca e pescoço, então, me pediram para encostar o queixo no peito, e realizei esse movimento tranquilamente (mesmo não conseguindo manter a cabeça firme). Em seguida, me pediram para tentar colocar o dedo indicador, na ponta do nariz. Não consegui, o meu dedo foi para todas as direções, menos para a ponta do nariz, e fui informada que seria internada. Meu pai e uma amiga , me acompanhavam, ficaram atônitos, e eu que até então, estava tranquila, pois sabia que naquele momento a internação, seria a melhor solução, passei a ficar desesperada, e não queria mais ser internada. Surtei com a reação deles e obviamente os meus sintomas pioraram. (Obs.: é extremamente necessário que a família e amigos de pessoas enfermas, mantenham o equilíbrio , no mínimo, quando estiverem em frente ao enfermo, caso contrário, o enfermo surta, pois ele tem essas pessoas como ponto de apoio. Se os familiares se desestruturam emocionalmente, o emocional dos enfermos "desce ladeira abaixo". No meu caso, eu tinha consciência que estava muito mal, mas eu estava aguentando firme aquela "bordoada", porém, o meu medo maior, era que os meus familiares não suportassem e perdessem o rumo. Eu não estava preocupada comigo , e sim com eles. Tentava mostrá-los que eu estava bem emocionalmente. Eu sabia que estava acontecendo um pesadelo, e queria estar atravessando sozinha aquele "deserto". Mas foi inevitável, que eles me acompanhassem naquela "tempestade de areia". Sofreram junto e eu não queria aquilo. Então, o meu surto foi esmagador, difícil de evitar.
Eu queria dizer que estava bem, mas não conseguia... não  falava, não escrevia, não conseguia fazer gestos ou trocar olhares. Quando tentava, olhar ou apontar para a frente, minha vista ou braço desviavam para a esquerda, direita ou para baixo. Não conseguia me expressar de forma alguma, e para completar o desespero, eu tinha a sensação de estar com 3 olhos no rosto). 
Desejei intensamente, que realizassem os exames, e que respondessem de forma bem clara e suficientemente compreensiva o que me ocorria.
...
Foi levantada fortemente a suspeita de EM – Surto de Esclerose Múltipla (doença neurodegenerativa). 
Porém, como já ocorreu um caso de esclerose múltipla na minha família, e sabíamos que nesse tipo de doença, os sintomas da degeneração neurológica, raramente aparecem juntos no mesmo paciente, e no meu caso, primeiro apareceu a diplopia (fiquei durante um mês sentindo a minha vista desalinhando), e quando fui comunicada que meu problema era neurológico, fiquei extremamente nervosa e os outros sintomas surgiram juntos e com uma intensidade muito forte. Então, eu e meus familiares mais próximos, estávamos certos que o diagnóstico não era esse, mas os médicos, desde o primeiro consultório em que fui atendida, e UPA (todos muito atenciosos), insistiram, pois eu precisava dar entrada no hospital.
Para em seguida, poderem iniciar a investigação sobre o meu caso.
...
Por sorte, muita sorte, mas muita sorte mesmo, a mesma sorte que tive quando consegui ser atendida pelo Dr. Naylor, consegui a última vaga na enfermaria de neurologia, mas, antes fui para a sala de tomografia computadorizada. Continuava surtada! E também entrei na enfermaria surtada. 
...
Durante os dias em que estive internada, fui avaliada pela excelente equipe do Dr Rogério Naylor e Dr Marcelo Cagy (médicos e residentes tentavam decifrar minha doença) e passei por inúmeros exames para fechar o diagnóstico (ressonância magnética do crânio, punção lombar, ... ). 
Fiquei absurdamente 1 mês sem evacuar. Foi necessário tomar óleo mineral.
Minha língua e garganta estavam paralisadas, então, para me alimentar, precisei usar sonda nasogástrica - um tubo de polivinil que quando prescrito, deve ser tecnicamente introduzido desde as narinas até o estômago... Eu já estava surtada, e quando a enfermeira chegou com essa sonda, o delírio foi ao extremo (esse foi um capítulo à parte, uma espécie de purgatório e céu. Se, no tempo em que precisei usar essa sonda, eu conseguisse falar o que estava vendo e ouvindo, os médicos teriam me encaminhado para a Clínica da Gávea LOL ... lembro que por pouco, os enfermeiros pensaram em me amarrar na cama ) e quando a sonda foi retirada, também foi outro capítulo à parte (naquele momento, eu vi no chefe da enfermaria - quem autorizou a retirada da sonda - a  presença do Sagrado! A presença de uma inteligência ordenadora!), e a melhora gradativa teve seu início...

Mesmo sem conseguir falar e ter os movimentos coordenados do corpo (minha aparência era depreciadora... ), sabia de tudo o que estava acontecendo. A única coisa que conseguia executar coordenadamente (na medida do possível e do impossível) eram os meus pensamentos...
Mesmo vivendo aquele "caos", eu surpreendentemente tinha a consciência que estava surtada, e pedia a tudo o que tem de mais sagrado, para me devolver a lucidez. Pensava na minha filha o tempo inteiro.
Não dormia, pois achava que se fechasse os olhos , não abriria mais.
...
Nas visitações diárias, surgiram vários grupos de orações. Todos muito atenciosos, com boa vontade e boas intenções, mas me irritavam, porque naquele momento eu queria o silêncio, precisava, necessitava de calmaria, principalmente porque meu problema era neurológico. E em alguns momentos, fingia que estava dormindo e rezava para que todos sumissem de lá, e impressionantemente sumiram, LOL . Passaram a ir somente aos domingos. No último domingo em que estive lá, não apareceu nenhum grupo. 
Eu pedia misericórdia por mim, por eles, e por todos nós.
...
Fiquei muito sentida por não ter visto grupos católicos.
Então comecei a fazer sozinha minhas preces.
Sabia que precisava ser paciente como o profeta Daniel, que foi atirado na cova dos leões famintos por ser fiel a Deus. Ele poderia ter renunciado a tudo que cria, mas manteve firme e o Senhor o livrou. 
Com muita fé, eu não parava de orar, pois tinha a certeza que Deus não falharia. Era repetitiva, mas conseguia rezar todas as orações que aprendi em português, latim e grego...
...
No decorrer da minha vida, aprendi como a oração é valiosa... não uma pequena prece, mas uma longa, falando com Deus.
... meditava várias passagens da Bíblia, como por exemplo, sobre Moisés, que tinha uma fé inabalável , e uma incrível trajetória (Moisés talvez não imaginasse, que Deus estava prestes a abrir o mar Vermelho, para que os israelitas escapassem. Mas ele confiava que Deus faria alguma coisa para proteger Seu povo ...), então meditei: eu tenho 100% de fé que vou sair desse pesadelo e sem sequelas...
... lembrava dos ensinamentos de Dom Estevão Bettencourt, O.S.B. (Diretor Emérito da Escola de Fé e Catequese Mater Ecclesiae) e pedi sua intercessão. Reforcei as súplicas.  Pedi a Maria , o maior ser de luz que veio a Terra (a Arca da Aliança, a que gerou em seu ventre o filho de Deus, ... aquela que disse o maior SIM, de toda a história da humanidade ...) e a adoração ao Sagrado Coração de Jesus passou a ser minha prioridade máxima...Orava, não até Deus me ouvir . Mas até eu ouvir a Deus! 
...
Com 15 dias de internada, os laudos dos exames prontos, os médicos continuavam sem saber do que se tratava, e a esclerose múltipla (óbvio) foi descartada... sabiam que era uma grave lesão no tronco cerebral - ponte, bulbo e cerebelo (o centro da vida), que não se tratava de uma doença rara e sim única... Iniciaram a pulsoterapia (corticóides na veia). Parecia que minha cabeça descongelava e tinha a sensação de cócegas que se espalhavam na parte de trás da cabeça e desciam para a nuca. 
Os médico perceberam que os sintomas sumiam e recebi alta na semana seguinte. 
...
Com a ajuda de maqueiros, consegui sair do hospital andando (o pescoço e a coluna, sempre foram os membros mais pesados do corpo, os braços e as pernas pareciam que estavam deslocados, a audição era limitada, a visão continuava dupla e às vezes tripla (uma sensação apavorante, a pior de todas).
Médicos, enfermeiros e amigos que acompanharam meu caso, ficaram muito surpresos com o início da melhora... e como sempre fui uma pessoa observadora e solidária com o próximo, deixei um presente, uma lembrança para cada enfermeiro, como pedido de desculpas , por ter perturbado eles ( acho que fui a mais surtada de todas as pacientes daquele setor  LOL ) , foi um agradecimento por toda a atenção dispensada. E eles ficaram mais surpresos , quando perceberam que eu sabia o nome de cada um.
...
Voltei para casa , procurei logo minha filha, que estava com 5 meses. Ela estava dormindo no berço e fiquei esperando acordar. Quando abriu os olhos e me viu, estendeu os braços... Não consigo relatar a emoção que senti... Filhos realmente, não esquecem as mães... Eles sentem a nossa presença, não apenas pelo cheiro, mas também pelas batidas do coração... Eles são o nosso coração em outro corpo...
...
Continuei o tratamento com o Dr Marcelo Cagy, que incluiu anti-inflamatórios (foi necessário uso prolongado de corticóides - aproximadamente 1 ano e meio), fonoaudiologia (minha dicção, ficou péssima) e fisioterapia...
A fase da recuperação , foi tão complicada e desesperadora, quanto a fase do surto da doença, pois as dores que eu não senti no surto, senti na recuperação de cada movimento. O primeiro movimento que normalizou, foi o da coluna e do pescoço, a dor foi insuportável, mas voltei logo a sentar, falar (com dificuldade, por um longo tempo) , me alimentar, e a reaprender a andar... indicaram que eu usasse um andador ortopédico ou uma bengala, mas eu não aceitei, pois me sentiria desmotivada, queria recuperar rapidamente o controle de movimento de marcha e reflexos, precisava enrijecer as pernas para sustentar o corpo contra a gravidade ... preferi usar o carrinho de bebê da minha filha. Ela também participou do meu processo de reabilitação, na medida que interagíamos, eu começava a reencontrar o centro de equilíbrio do meu corpo e da mente.
 Colocavam ela dentro do carrinho, então, me equilibrava e empurrava, sempre com um acompanhante me coordenando, dando segurança e orientando, e assim ia treinando minha marcha. Demorei a caminhar normalmente, algumas vezes me desequilibrava e caía. Mesmo, com dificuldade de sentir a planta dos pés, não desisti, e sempre lembrava da célebre frase de Albert Einstein : " Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio". 
O ser humano necessita do movimento para viver e se desenvolver. Eu caminhava, caminhava, caminhava, e gradativamente recuperava a coordenação, a aprendizagem de movimentos rítmicos, o equilíbrio, desinibição e segurança motora; a autoconsciência motora e corpórea, pelo estímulo perceptivo e pelo bem-estar derivante de estar de volta ao convívio com minha filha, e de integração da própria imagem psíquica. Foi um tratamento de forma global - emotivo, motor e cognitivo... Sentia melhoras no equilíbrio, na noção de espaço e da postura, minha musculatura tonificava e minha dicção voltava ao normal em função da respiração correta. 
Foi engraçada a reação de alguns vizinhos , que acompanharam o meu caso na época do surto, e quando me viram treinar. Em um desses dias, o síndico do condôminio onde moro, estava conversando com alguns funcionários e caminhava em minha direção, quando ele me viu , diminuiu os passos, e surpreso me cumprimentou. Outros vizinhos também paravam o que estavam fazendo, se aproximavam e me cumprimentavam ... Meus vizinhos também foram essenciais. Alguns ajudaram a me carregar e levar aos consultórios, emergências, ao hospital e a voltar a andar... Foi como se estivesse cercada por anjos, ajudantes ou mensageiros de Deus.
...
Na região do diafragma, parecia que tinha uma corda amarrada... A diplopia e a audição foram os últimos sintomas a persistirem. Quando a movimentação dos meus olhos estavam voltando ao normal, eu sentia os globos oculares "entrarem" e "saírem", e não sei descrever essa sensação. E a audição? MEU DEUS! Eu sentia uma pressão intracraniana, pontadas muito fortes e frequentes, parecia que entravam dois vergalhões, um em cada ouvido! E os dois "vergalhões" se encontravam no meio da cabeça, e ficavam rodando como se fossem cotonetes! E quando finalmente senti os "vergalhões" saírem, quase desmaiei, mas, minha audição voltou ao normal... (nesse momento lembrei do significado de uma palavra em aramaico: éfeta... e tentei me fortalecer)
...
A redução do uso de corticóides  (desmame) foi gradual e nada agradável. Por três vezes, antes de dormir, senti um intenso tremor no corpo, e cheguei a pensar que estava sendo eletrocutada. Quando senti que estava bem, corri para a frente do espelho, pois achava que estava com o rosto todo retorcido; observei meu reflexo , e vi que estava normal. Provavelmente, aquela sensação de choque, foi psicológica.
...
A cada dor que sentia, me lembrava dos dias em que estive internada no prédio principal do HFSE- RJ, 7º andar, e ouvia os gritos de outros pacientes, não sabia distinguir se eram gritos de dores ou delírios. No setor feminino , conseguia ouvir os gritos do setor masculino. As pacientes do setor feminino, quando andavam pelos corredores , diziam que tinham delírios e consequentemente vontade de pular das rampas, que davam acesso aos outros andares... Era uma aflição indescritível! Um dia antes de receber alta, pedi para me levarem até a janela, quando encostei no parapeito, tive a sensação que eu e a parede iríamos cair ... e sempre achava que iria cair da cama ou da cadeira de rodas ...
... outras reações dos corticóides, e da amitriptilina, também foram terríveis, como por exemplo: antes do surto meu peso era 55kg, no surto foi a 40kg, na recuperação e com o uso de corticóides, fui aos inacreditáveis 100kg... Após o uso das medicações, consegui perder 40kg... Até hoje, luto contra a balança. Minhas unhas passaram a quebrar na vertical, não na horizontal...
...
Para suportar as dores que persistiam, eu continuava insistentemente as orações e meditações ... Já estava chegando ao meu limite...
...

Lembrei de uma ocasião, aproximadamente uns 15 anos atrás, que fiquei sabendo em conversas informais com amigos, de três mulheres que estavam com problemas nos ovários, sentiam dores, sangravam desordenadamente e iriam passar por procedimentos cirúrgicos... fiquei muito comovida por elas, e pelos filhos que tinham (crianças)... e sem comentar com ninguém, silenciosamente pedi intercessão por elas. Após as cirurgias que foram submetidas, procurei saber como as três estavam, e com imensa alegria, recebi a notícia que estavam surpreendentemente bem, inclusive uma delas, após alguns meses conseguiu engravidar. Essas três mulheres, até hoje não sabem que orei por elas.
... Com essa e outras lembranças, iniciei um processo de aprendizagem autodidata, de interiorização e relaxamento:
Comecei uma meditação, uma antiga forma de oração cristã, contemplativa que procura Deus no silêncio e na quietude, para além das palavras ou pensamentos... Estava interiormente silenciosa e calma e ouvi uma voz : “Venha como estais”, “levanta-te". Tranquilamente, caminhei do quarto até a sala e com a mesma calma que ouvi a voz, respondi: “Eis me aqui, ... fala Senhor, que tua serva, escuta ” e mais uma vez ouvi "... será guiada e guiarás..." Observei umas garrafas pet , e novamente ouvi a voz “ Eis, aqui, à sua matéria prima e terapia”... Não sei se o recado era esse (poderia ser delírio, mas lembrei novamente do significado da palavra éfeta...), e como sempre trabalhei com artes, principalmente para crianças, fiquei observando as garrafas pet e vi vários brinquedos nela... vai e vem, aviões, bonecas, jogos, ..., cálculos matemáticos, ... músicas... danças circulares ... Não estranhei, pois sempre convivi com a sinestesia (vejo cores nas letras e números, observo sons, sinto sabor nas cores, ...  )
Ainda recuperando meus movimentos, comecei a produzir brinquedos com material reaproveitado... a partir desse momento, comecei a sentir os benefícios da arteterapia.  
...
Além da minha família e amigos, que sempre estiveram ao meu lado, a arteterapia foi um catalizador, favoreceu meu processo de recuperação. Foi um tratamento psicomotor que realizou a interação dos sentidos, da motricidade do cognitivo, com o meio facilitatório da arte com o reaproveitamento de materiais, através de estímulos desenvolveu e aprimorou a noção de esquema corporal, a coordenação motora ampla e fina, a lateralidade, o ritmo, a estrutura espacial , a organização temporal e a socialização. Minha auto estima melhorou. O estresse e a ansiedade pela cura foram diminuindo, os sintomas da doença sumindo... Voltei a ter autonomia do corpo. As minhas funções vitais voltaram a ser controladas e realizadas espontaneamente, e aquele quadro irreversível, a certeza que estava caminhando para uma morte encefálica, se distanciou absurdamente. Minha audição e visão finalmente estavam em perfeita sintonia. Sentia um alívio nos ouvidos.

As sensações de satisfação e prazer, foram promovendo uma organização psíquica. Eu sentia um prazer enorme em inspirar e expirar.

Também não posso deixar de mencionar, a sensação que tive na planta dos pés! Senti a circulação voltando e parecia que tinha uma ventilador dentro do meu pé LOL . Foi um alívio sensacional!

E em alguns momentos , a música (erudita) também causou efeitos relaxantes na minha cabeça, parecia que estava descongelando; foi uma sensação estranha, porém agradável. Acredito que a sinestesia também tenha me ajudado. Foi quando comecei a assimilar, a ação de Deus na minha vida... 

Confiante, me dediquei na produção dos brinquedos. Fui fazendo uma peça aqui , outra peça ali. Então , criei de forma completamente despretensiosa um blog no Google, uma fanpage na rede social Facebook e no Instagram. A princípio seriam utilizados somente para pesquisas e atualizações dos meus trabalhos, uma distração, pensei que só seriam vistos por mim e escrevi no título "Brinquedos e atividades com material reciclado, para maternal". Para minha surpresa, as páginas foram ganhando força e visibilidade, e percebi que não poderiam ser somente para maternal, que eu não estava fazendo reciclagem e sim reaproveitamento (um "parente" da reciclagem. O que é ou parece lixo para você, pode ser um tesouro, uma matéria prima para a criação de algo novo para outra pessoa. E é disso que se trata o reaproveitamento, que em um mundo cada vez mais necessitado de atitudes sustentáveis, pode ser crucial, além de rentável). As postagens mais visualizadas e comentadas nas páginas, não eram somente sobre o reaproveitamento e sim, a fusão da arte do reaproveitamento com a psicomotricidade... Um assunto se interligou ao outro... Então a descrição das páginas, só poderiam ser essa: " Você pega uma coisa e transforma em outra. Não é apenas reciclagem é ARTE!" 
Consegui trocar o nome da Fanpage ( na página antiga , eram 230 mil seguidores. A internet é como se estivéssemos sempre lançando garrafas com mensagens ao mar... vez em quando alguém lê a mensagem e responde, e normalmente, quando você mais precisa. Mas de repente apareceu uma multidão. Não conseguia responder a todos, porém adorava receber cada pergunta, às vezes, eram apenas um simples "Oi", "Hi", "Hello";  e foi mais um tipo de "terapia". Eram brasileiros,  chilenos, argentinos, colombianos, venezuelanos, canadenses, asiáticos, europeus, ... , e também de lugares bem inusitados, como Sultanato de Omã, Myanmar, Indonésia, Moldávia, Silay, Karachi uma cidade que fica as margens do Mar Arábico, no Paquistão, ...
O Google tradutor foi e ainda é o meu maior parceiro (LOL)... Como todas as páginas que existem na internet recebem perguntas, a minha página não fugiu a regra, e recebi muitas dúvidas e comentários (ainda recebo) . Muitas perguntas de vietnamitas, que tem uma simpatia incrível! Eles gostaram do post sobre casas construídas com garrafas pet. Australianos, alemães e europeus de um modo geral, gostavam de tudo sobre upcycling. Portugueses (alguns estudantes da universidade de Coimbra), curtiam os brinquedos pedagógicos, psicomotricidade. Os russos? Esses me surpreenderam, pois muitos perguntavam sobre decoração de festas! Não sabia que eles eram tão festeiros, amigáveis, simpáticos :D . Italianos, pediam dicas para criarem espaços verdes como hortas, jardins e paisagismos sustentáveis no interior de ambientes, como escolas. Brasileiros, sobre arteterapia, psicomotricidade, hortas, mas a grande maioria eram professoras do ensino infantil, estudantes do ensino médio, e profissionais de terapia ocupacional ... 
... Todos me cativaram, mas os asiáticos, conseguiram ser os mais queridos, os que mais me deixam comovida até hoje!...
Eu ficava matutando: " meu Deus , o que eu escrevi , para ser procurada por tantas pessoas? " ... agora estou no Instagram e tentando responder todos LOL , e comecei a explorar ainda mais os assuntos sobre vários tipos de brinquedos e atividades com material reaproveitado. 
Com a visibilidade das páginas, vários profissionais começaram a me procurar para criar oficinas, exposições de brinquedos, em escolas e parques, e ensinar crianças, professores, monitores, pais, membros de associação de moradores a produzirem brinquedos... minha página e trabalho foram mencionados na rede social do Ministério do Meio Ambiente... Sou curiosamente seguida no Instagram, pelo Ministério da Ciência, por grupos religiosos, pelo respeitado Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes, ...
Resumo: além da minha fé ter aumentado... ter sentido os benefícios da arteterapia, também observei nas oficinas de brinquedos dos quais participei, que reaproveitar matéria prima que de outra forma seria acondicionada em aterro/queimada, ou lançadas em leitos de rios ou oceanos, também se enquadra não só como uma atividade ou brincadeira, mas como uma prática econômica, social e inclusiva. Em muitas situações, a partir da execução dos brinquedos, mudanças sociais, comportamentais e ambientais podem ser observadas, como a interação entre pais e filhos e de crianças especiais com seus familiares. Crianças e adultos se divertem ajudando a produzir os brinquedos. Garrafas pet, são transformadas em aviões e outros objetos, levando alegria às crianças, e também a conscientização sobre a defesa do meio ambiente e cidadania. 
A produção de resíduos é inerente à condição humana, mas precisamos nos reeducar e consumir menos. 

Podemos reaproveitar e reutilizar detritos como vidros, papéis, plásticos, pneus, metais e a infinidade de lixo que produzimos a cada minutomodificá-los em novos e surpreendentes brinquedos, transformando em uma atividade de educação ambiental e cidadania, prazerosa, e com um poder curativo, tanto a saúde física, como a mental. 

Algumas observações
*Desde que tive alta no hospital, meu neurologista solicita uma Ressonância Magnética do crânio, por ano. No dia 17/12/15, fiz a quarta RM e foi constatado que tinha uma mancha na região onde ocorreu a lesão. Perguntei ao meu neurologista, o que aquela mancha significava e ouvi a resposta que era uma cicatriz... Em 2016 não foi necessário RM.
                                                              
*Nos últimos dias em que o HFSE foi minha morada, duas médicas foram me avaliar (rotina diária).
Passaram uma chave, na planta do meu pé. Nos dias anteriores eu não sentia, mas nesse dia eu senti e flexionei os dedos. A médica que me visitava diariamente, disse para a outra pasma: "Até ontem isso não acontecia". A outra médica olhou para mim e perguntou: "Renata, qual é o seu mistério?"
Respondi com muita dificuldade, a minha afirmação de fé:  "Eu creio ..." e elas sairam atônitas.
Recebi alta no dia seguinte.
Em todos os dias em que estive no hospital , eu recitava orações ,(interiormente, óbvio) principalmente o CREDO.

Profissão de fé - creio 
Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos.
Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém


*Assistindo uma aula de Liturgia, fiz esse testemunho ao meu Mestre (professor) e Diácono. Ele me fez  perceber, que nesse singular momento da minha vida, eu me aproximei dos Sacramentos da Cura.
Reconciliação, Penitência , Confissão, ... Um outro amigo disse, que no momento em que fiz as orações, eu “me exorcisei”...uma amiga falou que eu era médium... Vários palpites surgiram.

...
*Enfim, em 2017, volto para mais uma avaliação com meu neurologista (ele disse que não quer me perder de vista; inclusive o neurologista que me avaliou, no início do surto ou susto, também disse o mesmo. Mas só confio e continuo fazendo avaliações com os médicos do HFSE-RJ, os melhores do mundo), e para mais um pedido de ressonância magnética do crânio... Não utilizo mais corticóides, mas, ainda não tive alta... Na última avaliação com meu neurologista , foi recomendado que eu pratique aulas de dança... Já participo de aulas de canto e descobri mais uma peculiaridade minha. Meu Mestre disse que sou contralto. Adorei! 
...

Poderia acrescentar mais elementos, pois durante e depois a época dos fatos, inúmeras informações foram processadas , porém, aos poucos vou assimilando o que aconteceu. E me preparando para tentar descrever o "extraordinário", a luz que nos ilumina. 

----------------------------------------------


Antes, me considerava descendente de Tomé, aquele que quis ver para crer. 
Eu sempre mencionava, "Meu Senhor e meu Deus, eu creio, mas aumentai a minha fé". 
Hoje, tenho a certeza que "tudo é possível ao que crê" (Mc9,23)
me considero descendente de Abraão, o Pai da fé. 
Filha de Deus, o mesmo Deus de Abraão, Isaque e Jacó, José, Moisés, Elias; o mesmo Deus até a época de Cristo.

Renata Bravo

brincadeirasustentavel@gmail.com

A fé nos faz ultrapassar as barreiras do espaço e do tempo; o longe não existe mais e o depois acontece já! Aquele centurião romano, que se aproximou de Jesus e pediu uma cura para seu servo que estava lá na sua casa, distante, ele teve fé. E Jesus disse: "Pode ir, o teu servo está curado!" Ele não levou o seu servo até Jesus, ele confiou que a fé ultrapassa as barreiras do espaço, da distância e que a fé, também, ultrapassa as barreiras do tempo, quando ele chegou lá, algum tempo depois, realmente o seu servo, seu amigo estava curado. Quem crê faz o futuro acontecer. (Mt 8,5-17)

Nenhum comentário: